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Sáb, Ago

Diversidade em pauta

Vida Universitária
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A relação entre diversidade, representatividade e meritocracia no ambiente de trabalho foi discutida nesta quinta-feira (23) durante a Semana da Comunicação. Para falar sobre o tema participaram do evento a mestranda em Comunicação, Bárbara Lima, e a publicitária e consultora de negócios em moda, Alzira Vasconcelos.

"Existem muitos significados na escolha das palavras, e nas palavras não ditas", pontuou Bárbara, lembrando que "normal" é uma palavra muito usada e problemática, porque exclui as pessoas que não correspondem aos padrões sociais. Ela também faz questão de abrir olhos e mentes para o que é o conceito de diversidade, que difere do que se usa para montar um "prato com diversidade de alimentos". "Diversidade social não é sinônimo de variedade", afirmou a pesquisadora que trabalhou em agências com grande presença de mulheres, mas que sempre ocupavam os mesmos cargos operacionais, e eram brancas de classe média.

Quando falamos em diversidade social, estamos necessariamente fazendo referência às chamadas minorias sociais, ou grupos que nunca estiveram em destaque na sociedade e precisam concorrer com aqueles que detêm privilégios. Por isso, a mestranda destacou que não se pode comparar tamanha discrepância de status, condições de vida e experiências com a simples variedade, já que isso é insuficiente para expressar as diferenças e desigualdades sociais.

A pluralidade, conforme Bárbara, atende à condição de igualdade nas trocas sociais. "É preciso passar a pensar na diversidade junto com a pluralidade, pensar num grupo de pessoas que, além de variado, traz algum entrelaçamento de questões". Ela exemplifica com situações que presenciou: quando uma empresa diz que determinada vaga está destinada exclusivamente a pessoas negras, surgem reclamações de todos os lados; outras vezes, há vagas sem especificar a cor de quem desejam contratar e, no fim das contas, apenas brancos são contratados. "O problema estaria em deixar claro a quem a vagas são destinadas?", questionou.

Bárbara compartilhou ainda o momento em que percebeu que, apesar de ser mulher e negra, também desfrutava de privilégios, quando contou para sua avó, tradicional benzedeira, que iria se casar, mas não na igreja. Perguntou-se, ao final: "E se eu fosse lésbica? Como contornar isso?", como explicar para uma senhora religiosa que sua amada netinha jamais atenderia a suas expectativas, não apenas com relação a um casamento na igreja, mas de qualquer relação amorosa que teria? "Colocar-se no lugar dos outros, ter empatia é essencial", finalizou, com um elogio à diversidade, como admirável forma de convivência: "Não somos todos iguais, e está tudo bem”. 

Inclusão

Ao se apresentar, a consultora de moda Alzira Vasconcelos disse que as pessoas usam discursos que não as pertencem: "Alzira Vasconcelos, 28 anos, do interior de Minas Gerais, filha de pais separados, tem quatro irmãos, não sabe se gosta mais de pizza ou de feijão tropeiro, e trocou seu discurso inicial para se apresentar em palestras depois que descobriu que Alzira é Alzira e sua profissão é sua profissão". "Formada em moda, trabalha com estratégias de vendas no mercado de moda. Depois de anos no mercado de trabalho, descobriu que visual merchandising é vender mais e vender melhor".

Para ela, equipes de cores, gêneros, religiões diferentes devem ocupar todos os espaços de trabalho e não apenas a base operacional. A publicitária destaca que algumas empresas pregam que apoiam e praticam a inclusão de minorias, mas não permitem que evoluam na carreira, defendem a meritocracia sem dar a chance a alguém que faz um trabalho excepcional, mas que teve pouca oportunidade de estudo para concorrer a grandes cargos, têm como candidatos pessoas que se encaixam nos padrões da sociedade e tiveram todas as oportunidades para estudar. 

"Diversidade vende mais e melhor" porque espaços de trabalho diversos refletem a riqueza da troca entre as diferenças, defende a publicitária que, depois de muitos anos atuando em uma das maiores empresas do país, multinacional da cena de moda fast fashion,  concluiu que os resultados relacionados ao produto e moda eram excelentes, ao contrário daqueles relativos a pessoas, RH, desenvolvimento humano e capital humano. A consultora percebeu então que, sem reconhecer os próprios privilégios, seria impossível entender as necessidades dos outros. "Não foi sorte, foi uma condição", enfatizou. "Ninguém pode se colocar no lugar de quem não teve iguais oportunidades e achar que está tudo bem", afirmou a publicitária. 

 

Bárbara e Alzira conversaram com o Conecta. Assista!

 

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