O Jornalismo Cultural e suas dimensões

Vida Universitária
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 No último dia 25 de outubro, os alunos do curso de Jornalismo da Universidade Fumec acordaram no horário de sempre para ir à aula, arrumaram-se, tomaram café e pegaram o transporte. Porém, os ensinamentos do dia não foram nada rotineiros, era dia do projeto Encontros Interdisciplinares, evento que traz acadêmicos e profissionais do setor para o debate na Universidade. Desta vez, o tema em pauta foi o “O Jornalismo Cultural e suas dimensões”.

Ministrada pela jornalista Daniella Zupo e pela designer e fotógrafa Isis Medeiros, o encontro percorreu os caminhos da imprensa alternativa a tradicional, contornou a política e frisou a importância da comunicação na sociedade contemporânea.

Isis foi a primeira a dividir as suas experiências e ideias com o público. A mineira de 26 anos contou que, após um período fora do Brasil em 2013, voltou à terra tupiniquim desejando fazer a diferença, o que a levou a diversos movimentos sociais, sendo um deles o Levante Popular da Juventude. No “Levante”, a fotógrafa colocou em prática um projeto que vinha pesando o seu coração desde o último ano da graduação na Faculdade de Design da UEMG (Universidade Estadual de Minas Gerais).

“Em uma de minhas aulas, uma professora comentou que, por trás de muitos artistas reconhecidos, tinham mulheres que eram tão boas quanto eles e que, por serem mulheres, não eram celebradas. Isso me deixou revoltada e fez crescer em mim a necessidade de mostrar ao mundo quem são essas artistas, cientistas, que não tiveram o devido destaque.”

Foi aí que ela apresentou a iniciativa “Mulheres Cabulosas da História”, um projeto de releituras fotográficas que resgata a vida de mulheres que transformaram o mundo. Nomes já conhecidos, como Frida Kahlo e Clarice Lispector, estão presentes nos registros, mas outras expoentes pouco populares também são prestigiadas: Tereza de Benguela, Vilma Espín, entre outros.

“Mulheres Cabulosas” alcançou tantas pessoas, por meio das redes sociais, boca-boca e diversas exposições, que no início do ano que vem, a vida dessas personagens será lançada em livro. Em um dos últimos momentos da palestra, Isis mostrou cinco fotos do projeto e os alunos viram aquelas mulheres de “perto”. Eu era um deles e tudo o que pude pensar foi: “Não as conheço”.

Danielle veio em seguida, com uma bagagem cheia de experiência profissional: trabalhou como repórter, editora e apresentadora de alguns dos principais veículos de comunicação de Minas, como Rede Globo, Rádio Inconfidência e Rede Minas de Televisão. Também foi correspondente internacional do SBT.

Em um primeiro momento, a jornalista contou aos presentes o porquê de ter escolhido o Jornalismo Cultural e a desvalorização dele no meio jornalístico. Além de deixar claro que aquele profissional da notícia que escrevia e nada mais, não existe nos tempos atuais. Para ela, o jornalista deve estar preparado para o que der e vier.

Enquanto falava sobre a sua carreira e o “ser jornalístico”, Daniella desembocou em 2015, ano em que descobriu um câncer de mama e teve que dar uma pausa no trabalho. O que para alguns pode significar o fim, para ela foi o começo de uma nova etapa, em que a jornalista, mesmo em meio a um tratamento de saúde, decidiu fazer comunicação.

Focada em ressignificar a doença, Daniella iniciou a websérie “Ainda Hoje é Ontem” , em que contou, em oito episódios, o seu dia-a-dia por meio de relatos poéticos que ela escrevia e imagens que escolhia.

Mesmo depois de vencer o câncer, a jornalista permaneceu na internet porque viu outras formas de produzir informação na área cultural. Com um urso de pelúcia no colo, em sua série de vídeos “Meus discos, meus livros e nada mais”, a jornalista fala sobre obras literárias, canções e entrevista os mais variados artistas.

Conversa vai, conversa vem, o sinal toca e a “aula” termina.

 

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