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Seg, Maio

Trabalho informal como alternativa ao desemprego

Vida Universitária
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Mais da metade da população ativa no mundo, próximo a 2 bilhões de pessoas ou 61% do total, trabalham na economia informal. A quase totalidade dessas pessoas vêm dos países emergentes ou em desenvolvimento. Na informalidade, as condições de trabalho são quase sempre precárias e os trabalhadores não têm direitos trabalhistas nem proteção social, segundo o relatório emitido pela Organização Mundial do Trabalho, em abril de 2018. No Brasil, uma pesquisa encomendada ao Ibope, em 2015, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), apontou que 75% dos participantes da pesquisa compram mercadorias de ambulantes.

Créditos: Juliana Corrêa

O trabalho informal foi o maior responsável pelos empregos gerados no Brasil no ano de 2017, resultando na queda de desemprego em relação aos anos anteriores. Desde 2012, o país não tinha tanta gente trabalhando na informalidade, superando, em 2017 o número de trabalhadores empregados com carteira assinada. No final de 2012, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), havia 20,61 milhões de pessoas trabalhando por conta própria no Brasil. Em 2017, este número passou para 22,7 milhões, o equivalente a 25% do total de trabalhadores. Cerca de 1,07 milhão de pessoas passaram a trabalhar por conta própria como autônomos, sem CNPJ e sem funcionários, como vendedores de quentinhas a motoristas de aplicativos, exemplo dado pelos analistas do IBGE.

Nessa estatística, entram muitos estudantes que também optaram por arrecadar dinheiro extra. Na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Fumec, em Belo Horizonte, podem ser encontrados vários tipos de produtos, principalmente do setor alimentício como brigadeiros, bolos de pote, bolos para festa, alfajor e salgados, que são vendidos durante os intervalos entre as aulas. Os vendedores podem ser encontrados nos corredores, nos laboratórios ou mesmo por aplicativos - como  Whatsapp e outras redes sociais.

Breno Andrade, estudante do 2º período de Publicidade e Propaganda da Universidade, é uma das pessoas que viu no seu "hobby" uma maneira de complementar sua renda e usufruir do seu talento. Desde 2017, ele fabrica bolos e faz as encomendas de vários colegas de classe. "Eu comecei no ano passado, quando percebi que era um hobby que eu tinha que explorar pois, além de descobrir que eu tinha esse dom, as pessoas que estavam perto de mim aprovaram. E, além de gostar do que eu faço, é uma renda extra gratificante.", afirma o estudante.

Créditos: Juliana Corrêa

Para divulgar seu trabalho, Breno utiliza as redes sociais Instagram e Facebook postando fotos variadas, além de mensagens automáticas via Whatsapp. O estudante afirma que os colegas colaboram na maior parte de sua arrecadação e são compradores fiéis e bem receptivos. Ele também conta que, com o dinheiro dos bolos, já conseguiu adaptar sua cozinha para receber seus clientes e fabricar seus doces. Breno acredita ser esta uma ótima forma de adquirir renda e consegue administrar os estudos pela manhã e a fabricação de bolos na parte da tarde.

A estudante de biomedicina Anne Gabrielle começou a vender brigadeiros no início deste ano e afirma que existe espaço de vendas para todos dentro do campus. Para a jovem, entender o espaço e respeitar os outros vendedores faz parte do seu dia a dia. No áudio abaixo a estudante conta como este trabalho contribui para aumentar a sua renda e como ela mantém seus estudos.

Observa-se que tais vendas de produtos feitas pelos estudantes se resume a uma só vertente: a busca por independência financeira - seja ela para custear a faculdade, um sonho ou a formatura, dentre outros desejos. O trabalho informal tem o apoio dos estudantes pois eles afirmam que o valor das lanchonetes oficiais estão cada vez mais altos, e que compram com os jovens porque sabem da qualidade e do preço acessível.

 

Equipe responsável pela reportagemBruna Lima, Catherina Dias, João Eduardo Santana, Juliana Corrêa, Lizandra Andrade, Pietra Pessoa, Pollyana Gradisse, Silvania Capanema e Vitória Marques

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