O que ela quer é trabalhar

Vida Universitária
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É comum encontrar-se na mídia o discurso de equidade de gênero e de representatividade da mulher no século XXI. Infelizmente, o que as estatísticas mostram é que tal realidade ainda está muito distante. Segundo pesquisa realizada pela Universidade de Cambridge, durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro, quase 80% das coberturas foram feitas por homens.

A sociedade machista se faz presente não só apontando “erros” cometidos por mulheres, mas também de forma implícita quando nega sua participação direta na mídia e a reprodução de conteúdos relacionados às mulheres. A mídia é o mensageiro e, ao mesmo tempo, a mensagem, então quando se baseia em estereótipos não é possível obter representatividade.

Na atualidade, com o assunto posto em debate, avanços surgiram e devem ser destacados. Os obstáculos ainda estão presentes, porém agora as mulheres estão mais preparadas para lidar com as situações. A circulação de estudos como este é, portanto, extremamente importante para entender a função da mídia na luta pela igualdade.

Um exemplo disso é Anna Marina Siqueira. Jornalista do Estado de Minas há sessenta anos, ela foi a primeira mulher a trabalhar em uma redação no estado de Minas Gerais. Anna Marina lembra que, no início da carreira, sofreu discriminação pelo fato de ser uma moça de sociedade, mas que conseguiu se firmar entre os jornalistas. “Eu aderi ao modo deles, ia junto para o botequim beber e aí me igualei, tornei-me uma jornalista igual a eles e fui abrindo novos caminhos, novas matérias”, ela conta. Antes de criar o Caderno Feminino, há trinta anos, Anna Marina escreveu no Diário da Tarde e no Caderno de Cultura. Ela recorda que a mulher era muito marginalizada e o seu papel era restrito a “bolo, comida, filhos”.   

Ninguém até então escrevia sobre a mulher e, no novo caderno, começaram a ser publicados assuntos sobre a mulher, do interesse do público feminino, sobre seu papel na sociedade, como em entrevistas com jornalistas, escritoras, advogadas. Do seu ponto de vista, o Caderno Feminino trouxe para Minas Gerais uma nova visão da mulher. Ouça um trecho da entrevista com a jornalista:

 

Mulher multimidiática, Helenice Laguardia trabalha há vinte e cinco anos como jornalista. Antes mesmo de se graduar na PUC Minas, iniciou sua carreira na Rádio Inconfidência. Há onze anos no jornal O Tempo, onde escreve sobre economia, hoje é também apresentadora do noticiário da Rádio Supernotícia, fundado há um ano.  Em entrevista exclusiva para o Conecta, Helenice observa que nas últimas duas décadas a predominância de homens nas redações foi diminuindo à medida que as mulheres foram conquistando postos, sendo hoje franca maioria. Segundo a jornalista, a mulher, sem perder a objetividade, tem um olhar mais detalhista, questiona mais. Com maior facilidade para estabelecer empatia com os entrevistados, consegue se posicionar melhor e vai além da notícia essencial. Helenice nos revela a razão do sucesso das mulheres no jornalismo. Ouça o áudio:

Mesmo com a chegada das mulheres às redações, o sentimento de insegurança permanece. A presença constante nas redações de brincadeiras machistas,  assédio até mesmo sexual, distribuição de tarefas por gênero e, até o fato de não serem cogitadas para cargos mais prestigiados, intimida as mulheres. Quanto mais ocorrências,  mais se alimenta a visão de que atitudes como essas são algo normal e consentidas no ambiente de trabalho.

Veja no vídeo a seguir, o que a jornalista Patrícia Pinho tem a dizer sobre o assunto:


 

#jornalistascontraoassédio e #deixaelatrabalhar

As hashtags acima têm sido usada em manifesto as ocorrências de assédio contra jornalistas. A primeira surgiu após o caso da jornalista Giuliana Pereira fazer uma denúncia de assédio contra o cantor Biel e em menos de um mês ser despedida. Já outra começou quando as repórteres Renata Medeiros e Bruna Dealtry foram assediadas durante coberturas esportivas. Para saber sobre esse movimento, acesse o vídeo e a página no Facebook.

Equipe responsável pela reportagem: Bruna Lima, Catherina Dias, João Eduardo Santana, Juliana Corrêa, Lizandra Andrade, Pietra Pessoa, Pollyana Gradisse, Silvania Capanema e Vitória Marques

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