BH Tattoo Festival: Um encontro com a arte à flor da pele

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8° festival de tatuagens de BH traz profissionais de todo Brasil e mostra que tatuar é além de uma arte, um estilo de vida

 

Diante do sucesso do ano passado, a 8° edição do BH Tattoo Festival mereceu cobertura oficial para os leitores do portal Conecta que acompanharam os detalhes da convenção de 2017 e para aqueles que querem conhecer o evento anual. O 8° O BH Tattoo aconteceu na Serraria Souza Pinto durante os dias 4,5 e 6 de maio de 2018.Com mais de 400 tatuadores, entre nacionais e internacionais, a convenção foi regada a muita música, atitude, diversidade e atrações únicas.

A dinâmica do festival é a mesma dos outros anos. A cada dia, algumas categorias de tatuagem sobem ao palco para concorrerem à melhor tattoo daquele estilo. Dentre estes estilos estão: tribal, aquarela, comics, old school, e muitos outros. O tatuador também pode candidatar sua arte na pele nas categorias de melhor do dia e melhor do evento, e o resultado das competições é revelado sempre no domingo. Ao contrário do que se imagina os concursos não geram rivalidade, mas um compartilhamento de experiências. Os tatuadores conversam, discutem sobre as técnicas utilizadas e aprendem uns com os outros. O público também se diverte e aprecia as tatuagens feitas. É raro encontrar alguém no festival que não tenha nenhum desenho tatuado. É inegável que o ambiente se torna inspirador para os amantes da tatuagem e irresistível àqueles que querem se enveredar pelo mundo dos tatuados.

A advogada Ana Carolina Nader, 40 anos, foi ao BH Tattoo Festival decidida a tatuar vários desenhos e frases. A tatuadora Bruna Ramos, de Pará de Minas, há quatro anos na profissão, foi a escolhida pela advogada. “A Bruna me passou muita segurança e isso é maravilhoso num profissional da tatuagem”, contou Ana. Sobre o evento, tanto a tatuadora como a cliente dizem apenas elogios. Bruna quer voltar no ano que vem para competir em alguma categoria. Enquanto isso, Ana Carolina disse que encontrou, no evento, a chance de tatuar várias coisas por um preço acessível. A advogada, que nunca havia visitado o festival, parabenizou a organização e a diversidade de profissionais e atrações.

A fusão entre tatuadores que, como a Bruna, nunca tinham trabalhado no BH Tattoo Festival, e os artistas que já têm passagem carimbada nas versões anteriores é um fator determinante para provar que tatuagem é uma arte coletiva. Vítima de represália por muito tempo no Brasil, o ato de se tatuar, que chegou ao país em 1959, se mantém resistente e rompe cada vez mais com o preconceito, visto que o número de adeptos à tatuagem cresce e o público vêm se tornando cada vez mais dinâmico. O número de tatuadores brasileiros também cresce em grande proporção.

Hudson Bambu é tatuador em Capão Redondo, São Paulo, e veio tatuar no evento da capital mineira pela segunda vez. No ano passado, Bambu ganhou o prêmio de melhor série de desenhos. Em 2018, competiu nos estilos aquarela e old school, ficando em segundo lugar na primeira categoria citada. O BH Tattoo Festival é, para o paulista, um dos melhores encontros de tatuadores do Brasil. “É uma das convenções com melhor público e melhores artistas”, ele afirma. A mineira Ana Carolina, de 23 anos, tatuou com Hudson em 2017 e, de tão satisfeita com o trabalho, veio tatuar novamente com o artista neste ano.

Henrique Persil, 35 anos, dono do estúdio Persil Tattoo, em Ribeirão das Neves, competiu na categoria melhor do dia de sábado. Persil já tem história nas convenções belo-horizontinas: nos últimos quatro anos foi premiado nas categorias feminino, em 2014, e pontilhismo, em 2015, 2016 e 2017.Para o tatuador, o BH Tattoo Festival melhora a cada ano. Assim como Hudson, ele elogia o nível dos tatuadores, que só eleva de edição para edição.

Créditos: Laura Nogueira

Além dos concursos de melhor tatuagem, tradicionalmente ao sábado, sobe ao palco do festival a representatividade feminina no campo da arte. O concurso Miss BH Tattoo elege, entre 10 candidatas, a mulher tatuada mais bonita e simpática do evento. Em 2018, a campeã foi Glênia Ziviani, de 24 anos. A miss eleita em Belo Horizonte representa o estado na convenção da capital paulista. Neste ano, o sábado também contou com um concurso de Cosplay.

Créditos: Laura Nogueira

Quem apresenta as competições e atrações do evento é Carlos Tattoo, tatuador com 31 anos de profissão e que acompanhou a trajetória da arte da tatuagem desde seu início no Brasil. Carlos conta que não se imaginava como apresentador em convenções de tatuagem, mas que seu contato com o meio fez com que ele se aproximasse do microfone e fosse convidado para apresentar e dar sua visão em vários eventos deste tipo. Hoje, ele tem satisfação em narrar competições pelo Brasil inteiro e já foi convidado para eventos internacionais. “As vezes eu nem falava a língua do país onde estava, mas eles entregavam o microfone na minha mão, e então eu me viro”, conta. Em seus momentos de diálogo com o público, o profissional ressalta a importância da convivência entre os novos tatuadores e os “caras das antigas”. “As convenções de tatuagem são feitas para que haja um bate papo, uma troca entre tatuadores de todas as épocas”, relata.

Além dos concursos, em 2018 artistas renomados fizeram as “livetattoos”: tatuagens feitas no palco para que todo o público do evento possa acompanhar. Também teve grafitte feito na hora para quem passasse pelo encontro dos dois palcos.

Segundo espaço do BH Tattoo, o palco 440 Hertz recebeu atrações musicais de estilos diversos. A banda Ratos do Porão foi uma das principais a se apresentar no palco musical, e DJs como Ekanta, Nevermind e Rika Amaral e os rappers como Big da Godoy fizeram parte junto da batalha de MCs que aconteceu no domingo. Ao redor do palco, foodtrucks garantiam ao público inúmeras opções de bebidas e comidas, fazendo parte também da diversidade do encontro.

O encerramento do 8° BH Tattoo festival trouxe o tão esperado resultado: a melhor tatuagem do evento foi a caveira feita pelo artista Tuzinho de São Paulo.

A noite do domingo fechava um ciclo de três dias inesquecíveis para a centena de tatuadores e artistas. Este dia tornou-se memorável também para os milhares de amantes da tatuagem que saíram exibindo seus eternos desenhos cheios de significado durante o festival. O que se extrai de um evento como este é isso: tatuagem é uma arte coletiva, pois significa muito não só para o cliente, mas também para o tatuador, e, com isso, se torna história.

 

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