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Sáb, Ago

Um sonho abandonado

Vida Universitária
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Futebol: Sonho para muitos, realidade para poucos; Conheça histórias de pessoas que tentaram o sucesso e encontraram obstáculos na categoria

O Brasil é um país diversificado, onde podemos encontrar um pouco de tudo. Isso vale também para o esporte, que é praticado por muitas pessoas em diversas modalidades. O futebol amador é uma delas, onde as pessoas que praticam têm um certo "hobby", além de unir etnias e valores, tem papel fundamental na integração social do indivíduo que em alguns casos, encontra a modalidade como "refúgio" para problemas desde brigas em família até mesmo os vícios das drogas. Campinho de terra, chuteiras rasgadas, traves sem redes e bola murcha, são elementos que são encontrados com grande frequência e que podem provar que muitas pessoas encontram a categoria como forma de diversão e pouco se importam com as condições apresentadas.

Apesar de ser pouco valorizado no Brasil, o futebol amador está bem próximo do profissional. Ao contrário de outros países, um jogador começa desde a base até ser "pincelado" na categoria por olheiros que os levam ao futebol profissional. Nossos "vizinhos", a Argentina é um dos poucos países que acontece algo parecido uma vez que na Europa, torneios de bairros e disputas de repescagens em copas profissionais, podem fazer até mesmo que um time não profissional possa encarar um time de primeiro escalão, a exemplo da Copa da França, onde a equipe do Les Herbies que seria considerada amadora no Brasil, iniciou na primeira fase do torneio e chegou a final contra o Paris Saint-Germain (PSG).

Podemos dizer que o futebol amador é a "raiz" do futebol brasileiro assim como a categoria de base mas, pelo fato de haver poucos incentivos e investimentos aos atletas, fazem com que muitos nem cheguem a uma equipe profissional, e quando chegam, enfrentam algumas turbulências e acabam desistindo, como é o caso de Euler Gomes, de 23 anos, que atuou na base do Cruzeiro Esporte Clube por 2 temporadas, durante o período de sua adolescência, entre 15 e 17 anos. Como todos os atletas, Euler passou por momentos turbulentos durante a época em que atuava pela equipe celeste. Após essa fase, decidiu largar o futebol como forma de trabalho e atribuí-lo somente como forma de lazer.

Euler acredita que empresários tomam conta do futebol atualmente e que isso prejudica muito a formação dos atletas e que enfraquece ainda mais o amadorismo e as categorias de base que formam cada vez menos pelo fato da "máfia" tomar conta do esporte.

"As maiores dificuldades que passei, foram as críticas, mas, elas me tornaram minha maior motivação. Inveja, máfia, empresário, assim você pensa: 15 anos, tão novo e já está passando por isso. Ficar no banco de reservas, sem merecer. Um jogo que ficou marcado para mim, foi a final do Campeonato Mineiro sub-17 entre Atlético e Cruzeiro. O técnico ficou me esquentando no banco, sendo que eu era o artilheiro do campeonato com 30 gols e fui entrar somente no segundo tempo. Consegui fazer 2 gols, mas já era tarde demais, e o clube alvinegro acabou vencendo por 5 a 4".

Mesmo ponto de vista do Educador Físico, Rafael Fonseca, de 25 anos, que atualmente joga futebol por hobby e conta um pouco sobre a realidade dos clubes.

"Eu acho, e sempre achei, o futebol muito ingrato. Tudo envolve dinheiro! Se você não for “peixe” de alguém (conhecido de alguém), ou se não tiver um empresário, você dificilmente consegue subir para o time de cima ou passar nos testes. Tem muitos garotos tentando o mesmo e muitas vezes não depende só do próprio atleta".

Wesley Souto, de 23 anos, também sonhava com um futuro nos campos de futebol, e conta que, no início de sua passagem, a colisão entre os horários de suas aulas e os compromissos com a base se mostravam um problema em vários momentos.

  Já para o supervisor metalúrgico, Leandro Santana, 34, existiam dificuldades dentro de casa que o fizeram largar o futebol. Porém, não foi por falta de incentivo da família, que sempre o apoiou, e sim, das finanças, que são de grande importância para que o atleta encontre um empresário que guie seu caminho. “Todos concordavam, mas éramos muito pobres e não dava para eu ter o acompanhamento.” Mesmo sem um profissional, Leandro conseguiu jogar por alguns clubes durante sua infância e adolescência, como: América Mineiro, Boa Esperança, Comercial, Cruzeiro, São Bento e São Paulo.

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