Mensageira da dança

Vida Universitária
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Beatriz El-Bainy é uma colecionadora de memórias e experiências. Dançarina profissional e formada em Educação Física, a carioca nascida na cidade de Cabo Frio (RJ), decidiu abandonar o caminho rotineiro. No dia 7 de agosto de 2017, Beatriz, que é missionária da Igreja Esperança, embarcou em uma aventura à Índia, em um projeto chamado “The Balloonists Company”.  Confira a seguir a entrevista que a dançarina concedeu à aluna de Jornalismo da Fumec, Ana Staut.

Conecta: Qual o propósito da viagem?
Beatriz: A viagem foi planejada com o intuito de promover um intercâmbio cultural entre Brasil e Índia, para aprofundar os indianos em novas práticas artísticas e, através de uma peça teatral, levar uma mensagem de amor ao público.

Conecta: O que a motivou?
Beatriz: Sempre dancei, e usar a dança para transmitir uma mensagem além dos passos é o que mais me motiva a ser artista. Representar com meu próprio corpo a escravidão e o sofrimento da Índia para mostrar ao seu povo o quanto eles têm valor e merecem respeito era muito convidativo e gratificante.

Conecta: Por que a Índia?
Beatriz: A Índia é um país muito peculiar pela excentricidade da sua cultura, são muitas cores, paisagens e experiências únicas. Mas, por trás desse cenário místico, existem crianças exploradas, mulheres abusadas e oprimidas pela sociedade, miséria, tráfico humano, casamentos infantis e muitas outras práticas que expõem o ser humano ao sofrimento. Pensando que cada pessoa tem valor e dignidade, o projeto se dedica a levar a mensagem de amor e hospitalidade, tanto aos indianos que sofrem, quanto aos que oprimem.

Conecta: Fale sobre o projeto “The Balloonists Company”
Beatriz: O projeto inicial era visitar universidades nas principais cidades da Índia com uma peça de teatro, para mostrar um pouco da arte brasileira e, juntamente, levar uma mensagem de amor, aceitação e perdão, já que o sistema de castas do país oprime as mulheres, crianças e os pobres. O segundo passo é a abertura de uma escola de artes na cidade de Jaipur, localizada no norte da Índia, onde os casos de estupros, abortos e exploração infantil são maioria. Através da arte, o objetivo é desenvolver um relacionamento profundo com a comunidade para, de maneira positiva, auxiliar as pessoas a se enxergarem com dignidade.

Conecta: Fale sobre a dança e seus impactos.
Beatriz: A cultura indiana é repleta de manifestações artísticas, sendo a dança sua principal maneira de expressão. Tanto os homens quanto as mulheres são educados a apreciar e praticar esse tipo de arte. Em seus filmes, programas de televisão e até mesmo na religião, a dança está presente de maneira significativa.

Conecta: Qual o resultado da viagem?
Beatriz: O público alcançado reagiu de maneira positiva, os jovens universitários foram o principal alvo do projeto e em todas as plateias o resultado era o mesmo, eles se sentiram valorizados por ter alguém de tão longe em seu país, principalmente para falar de amor ao próximo, reconhecendo a precariedade nos relacionamentos interpessoais. 

Conecta: O que a viagem significou para você?
Beatriz: Visitar esse país me fez ver a beleza de uma cultura muito oposta a minha. Aprendi que ser diferente não significa ser inferior, pois ninguém é melhor do que o outro pela sua maneira de ver o mundo ou hábitos. Pude ver pessoas vivendo com bem menos recursos e possibilidades do que eu, no entanto, eram felizes e gratos por tudo em suas vidas. Aprendi a valorizar as oportunidades que tive e a sonhar com as que terei, sabendo que faço parte de algo muito maior do que eu mesma. Minha vida não existe só para mim e enquanto eu puder, gastarei meus dias para servir e amar o próximo.

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