CONTRAPONTOS E CONTRATEMPOS

Vida Universitária
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Todo semestre a galeria da biblioteca do prédio FCH recebe obras de artistas renomados. Desta vez, abre o período letivo com a exposição Contrapontos e Contratempos, do artista plástico Marco Paulo Rolla, que fica em cartaz de 1º de agosto a 8 de setembro.

Marco Paulo é natural da cidade mineira de São Domingos do Prata e trabalha como professor de Performance na Escola Guignard, em Belo Horizonte. Suas obras abordam as questões das relações sociais e sua inspiração vem da observação do cotidiano. “Quase todas as imagens que você vê em meus trabalhos são tiradas de imagens que já existem na sociedade, por exemplo, a imagem da pintura que se encontra na exposição intitulada ‘Cálculos’ [quadro que sugere uma reunião], foi criada através da observação de um anúncio encontrado em uma revista de avião. Uma imagem supostamente ‘ética’, pois existe uma mulher em posição de superioridade, sentada na mesa de reuniões, dois homens negros e um homem branco, uma coisa supostamente e politicamente correta, que ‘empodera’ estas minorias”, conta.

Suas obras, reconhecidas internacionalmente, encontram públicos diferenciados. “A diferença está principalmente no envolvimento do público com a situação. Aqui no Brasil, como as pessoas tem uma educação cultural fraca, se portam mais de uma forma espontânea, o que é uma faca de dois gumes. No exterior, por exemplo, até um ponto da performance, o público se colocou desta forma, mantendo um distanciamento de quem vê uma obra de arte, mas, não senti as coisas de maneira aberta e emotiva, se afastaram e ficaram de longe. No Brasil as pessoas interagiam muito”.

O que chama atenção em suas obras é a habilidade com a qual ele traduz cenas fortes de nosso cotidiano por meio de desenhos elegantes. Logo ao entrar na biblioteca vislumbramos seus quadros e, quando próximos, notamos a presença de dor e questionamento, através das expressões faciais e corporais.

Para a curadora da exposição, professora da FCH, Andreia Laura Prates, sentimos nos quadros a presença do artista. “Marco Paullo é uma pessoa muito intensa, ele chega em uma composição estética muito perfeita, mas, vai dar uma cutucada. Se repararmos bem em suas obras, há um escorrido, sabe, sempre haverá algo para cutucar no sentido de ‘aqui não tem só beleza”.

O artista consegue fazer isso sem trazer peso para as cenas, em suas cores e composisões, como ao usar a cor branca em cima de um fundo ocre e os traços finos para o desenho. Vale a pena conferir a exposição Contrapontos e Contratempos e se questionar sobre tudo o que acontece à nossa volta.

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