Assessoria de imprensa em foco

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Nasce, cresce, morre. Com certeza este ciclo não se refere ao do jornalismo, que se assemelha mais a uma montanha-russa, com seus altos e baixos, causando emoção e muitos, se não todos, querem saber algo sobre o futuro da profissão. O jornalismo vem passando por uma série de alterações, o que pode ser comprovado pelo simples fato de que antes um periódico demorava meses para ficar pronto e hoje pode ser feito em um dia. Com as novas tecnologias, a facilidade de se obterem informações é inacreditavelmente mais fácil, mas, ao mesmo tempo e da mesma forma, é simples fabricar e encontrar notícias falsas. É aí que entra a Assessoria de Imprensa.

Em 1877, nos EUA, nasceu Ivy Lee. Estudou na Universidade de Princeton, e começou sua carreira como jornalista. Século XX: manifestações nos EUA contra o abuso das grandes empresas e exploração do povo eram marcantes. Com todos estes problemas, as empresas se viram obrigadas a adotar uma política de transparência, mostrando à população suas atividades. Foi neste período (1906) que Lee abriu o primeiro escritório de Assessoria de Comunicação do mundo, publicou a famosa Declaração de Princípios - em que afirmava que eles eram um Departamento de Imprensa aberto, no qual tudo era feito às claras e com informações exatas, relativas a assuntos com valor e interesse para o público - e começou a trabalhar para o empresário John Rockefeller Jr., do grupo Rockefeller, com o intuito de mudar sua imagem de impopular para venerado. Foi assim que surgiu importante área de atuação profissional no jornalismo, a Assessoria de Comunicação.

Esta especialização é como uma ponte, responsável por ser a “porta-voz” de seu cliente (seja físico ou jurídico), recebendo e divulgando informações. No entanto, isso não é uma missão fácil. A assessora de comunicação da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA), Marina Behring, opina que o jornalismo, em qualquer área, tem o objetivo de informar, disseminar conhecimento. “A partir do momento que você divulga conhecimento, o cidadão é capaz de elaborar seu próprio juízo de valor sobre determinado assunto e retransmitir a informação recebida. É um ciclo positivo que só cresce. Informação, conhecimento nunca é demais”, explica.

A internet, a maior fonte de informação hoje, apareceu como uma nova forma de se conectar de forma rápida com outras pessoas. No entanto, este meio obteve um crescimento tão significativo que hoje muitas pessoas, principalmente desta geração, não sabem mais o que é se desconectar, não postar ou simplesmente não acreditar em tudo que é dito. Uma pesquisa feita pela Kaspersky Lab, parte do relatório My Precious Data: Stranger Danger, mostra que, no Brasil, 96% das pessoas compartilha suas informações digitalmente. O levantamento não apenas apresenta dados, como mostra também o poder e influência da web na sociedade atual.

Behring afirma que “a tecnologia trouxe velocidade e diversidade ao jornalismo. Ela permite que os profissionais explorem múltiplas ferramentas e descubram qual se adéqua melhor ao seu público alvo”. A assessora ainda declara que sempre estão pesquisando novas ferramentas e plataformas para apresentarem a temática ambiental (foco da AMDA) de modo diferente, com o objetivo de levar conhecimento, chamar atenção e engajar a população em sua causa. “Acredito que a tendência do jornalismo segue para as redes sociais e notícias virtuais, mas é importante atentar-se à veracidade das informações, pois, infelizmente, quando a pressa é mais importante do que a apuração, erros podem ser freqüentes”, pondera.

Marina Bhering, assessora de imprensa da AMDA, realizou palestra durante Semana Acadêmica da Fumec. Foto: Catherina Dias

Além disso, com tantas informações sendo colocadas tão rapidamente na mídia, cabe a mídia filtrá-las. O assessor do Mineirão, Vitor Komura, comenta um pouco sobre esta a questão. “A assessoria é responsável por receber as demandas e filtrá-las. Cada uma cria o critério adequado. Tentamos atender todos, mas em caso de alto volume de demandas, trabalhamos com relevância como primeiro critério”, expõe.

Completando esta linha de raciocínio, Bhering diz que “o agendamento propriamente dito na AMDA é feito levando-se em consideração se o assunto é urgente ou frio. Por exemplo, um projeto de lei que pode ser votado a qualquer momento na ALMG, ou no Congresso, é pauta quente e precisa de divulgação rápida e ampla em todos os nossos canais de comunicação. Já uma notícia sobre um estudo que relaciona qualidade de vida (saúde) ao meio ambiente pode ser uma pauta fria e não tem deadline para ser publicada. Ela pode, inclusive, virar uma matéria especial mais completa. ”

Contudo, informar não é algo fácil. A área jornalística traz consigo um grande desafio e responsabilidade, pois as informações, uma vez passadas, são difíceis de serem redimidas. Nem sempre quem leu a matéria uma vez voltará para saber sobre a atualização do assunto, ou procurará em algum outro veículo para conferir. Por isso, é necessário um extremo cuidado com tudo que é passado, principalmente o assessor de comunicação, pois o profissional está falando em nome de pessoas e instituições.

Segundo Komura, o maior desafio é “ser isento, imparcial e crítico”, pois “o jornalismo deve, em essência, informar. Dar senso crítico à população”. Bhering também acrescenta a necessidade de encontrar, em qualquer área do jornalismo, uma maneira de divulgar a informação de modo que o cidadão comum, leigo, compreenda, consiga elaborar sua opinião própria e repassar essa informação. Ela exemplifica: “Podemos citar o “jurisdiquês”. Os advogados têm sua própria linguagem que, para quem não é da área, é quase incompreensível. Cabe a assessoria transformar o texto, adequando-o para que o cidadão leigo compreenda seus direitos”.

Nós vivemos em um país democrático. Isso quer dizer que as pessoas possuem direito a liberdade de expressão, e, acima de tudo, todos têm o direito de saber tudo que se passa dentro do país do qual faz parte. Por isso e para isso é que o comunicador deve trabalhar, para colaborar a fim de que o país obtenha esta característica que é direito do cidadão.

O assessor do Mineirão, Vitor Komura, falou sobre a profissão durante Semana Acadêmica da Fumec. Foto: Catherina Dias

Sobre esta questão, o assessor é preciso em afirmar que o jornalismo “deveria contribuir na democracia, em um mundo ideal”. Em contrapartida, a assessora enfatiza: “Claro que contribui! O jornalismo tem a função de informar. Uma pessoa informada tem mais elementos para discutir determinado tema e definir sua própria opinião a respeito. Uma pessoa desinformada simplesmente segue a multidão e é facilmente manipulada”.

Apesar de esse tema causar uma discussão muito grande e complexa, cada jornalista, assim como qualquer pessoa, carrega uma subjetividade, um olhar sobre a sociedade, opiniões diferentes. Por isso, apesar de ser almejada, não existe imparcialidade, neutralidade, sempre há um lado. Os jornalistas entrevistados também comentam sobre este ponto.

Na opinião de Bhering, a partir do momento que você define o objetivo da entidade, os materiais jornalísticos produzidos devem seguir a mesma linha. “O papel da assessoria é imprescindível neste sentido, pois é ela que vai direcionar as informações e cuidar para que tanto os produtos, quanto as fontes oficiais, demonstrem o foco de atuação da organização. A objetividade jornalística é importante para que a mensagem seja clara, direta e, principalmente, compreendida pelo público alvo”, ressalta.

Já Komura entende que a objetividade jornalística é alcançável e reforça que a assessoria tem papel importante neste objetivo. “A assessoria tem papel fundamental, dando a visão de seu assessorado e trabalhando para que o jornalista não fique sem ouvir o seu lado”, afirma. A questão é que a comunicação passou por muitas mudanças e avanços tecnológicos que fizeram com que os profissionais tivessem que se adaptar, mas o que nunca mudou, e não mudará, é a necessidade de se informar, por isso o jornalismo, em suas diversas áreas e formas, está aí.

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