Os 50 anos do movimento Tropicália

Vida Universitária
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Os 50 anos da Tropicália foi o tema do evento ocorrido na última quarta-feira, terceiro dia da Semana Acadêmica realizada pela Universidade Fumec.

O evento contou com as palestras da professora emérita da UFMG Eneida Maria de Souza e do professor e filósofo João Paulo Cunha. A abertura ficou a cargo do músico e professor Thiago Amaral, que presenteou ao público, por meio de um show no estilo voz e violão, um rico repertório que incluía “Exotérico”, “Tropicália”, Panic et Circense”, “Refazenda”, entre outras composições de grandes nomes do Tropicalismo.

A professora Eneida trouxe ao público maiores detalhes e curiosidades sobre a questão literária, em relação aos compositores que marcaram a Tropicália e, consequentemente, ao próprio movimento. Eneida apresentou uma rica e profunda análise, não apenas das grandes composições da época, mas também do próprio cenário cultural, seja na literatura, na música, no teatro ou no cinema, desde antes da emergência do movimento até a sua extinção. O cinema de Glauber Rocha e suas críticas social e política em “Terra em transe”, o Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade, as Artes Plásticas de Oiticica, o teatro de Zé Celso e a Baianidade de Caetano e Gil, foram algumas das grandes temáticas abordadas ao longo do evento. A professora Eneida, assim como João Paulo Cunha, ofereceu ao público uma verdadeira aula magna sobre a Tropicália, inaugurada em 1967 com as composições “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso e “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil.

Thiago Amaral, que presenteou ao público, por meio de um show no estilo voz e violão, com um rico repertorio de grandes nomes do Tropicalismo. - Foto de Catherina Dias

João Paulo Cunha apresentou um farto panorama sobre a relação do Tropicalismo com os meios de comunicação da época -jornais, revistas e TV-, que começaram a fazer parte da forma de expressão do próprio movimento. “Os meios de comunicação, comunicadores e pensadores da cultura, funcionavam também como elementos que faziam parte desse grande conjunto que se chamava Tropicália. É importante destacar isso. O nosso papel não é apenas de informar, fazer uma crítica ou prestar serviço. O jornalismo passa a ser um tipo de expressão cultural que é fundamental, não apenas como uma coisa que vem depois, mas como algo que dialoga para de alguma forma ampliar o papel da comunicação no relacionamento com artes em geral”, ressalta o professor.

Com relação à televisão -talvez o principal elemento na época- o professor abordou a estética dos festivais que paravam o país e mobilizavam fortemente a opinião pública, atenta às transmissões ao vivo, já que não havia ainda o chamado vídeotape. A imprensa, portanto, ajudava a reverberar não só a respeito da forma com que os festivais traziam a questão da música popular brasileira, mas sobretudo em relação à leitura do contexto social e político da época. 

O professor destacou que a grande preocupação dos meios de comunicação da época era conseguir acompanhar e decifrar, de maneira satisfatória, um movimento que contava com intensa significação social, política e estética. Além de certo experimentalismo, era preciso ainda driblar a censura. Deste modo, os desafios enfrentados pela imprensa, na tentativa de explicar, reverberar esse conhecimento e trazer o diálogo com a sociedade não eram poucos, ao passo que trouxe uma marca importante para crítica cultural que, através das análises políticas e estéticas, ganhou um espaço consideravelmente maior na imprensa.

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