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Qui, Maio

ZONA DE DESCONFORTO: FIOS DESENCAPADOS

Vida Universitária
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Quando conversamos sobre temas polêmicos, devemos estar preparados para as retaliações, críticas e, até mesmo, na pior das hipóteses, perder amigos. E quando esta discussão é feita em meio acadêmico, onde cada um tem sua ideologia formada? O que se espera, no mínimo, é algo comportamental, como saber ouvir o outro, para que, desta forma, possamos debater e, com isso, conviver bem em sociedade.

O evento “Violência Urbana: Causas e Consequências” foi realizado no dia 6 de março, no auditório 309, da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade FUMEC, e suscitou intensa discussão entre os alunos e especialistas na área criminal. O debate foi uma iniciativa dos estudantes de psicologia que, infelizmente, não contou com a participação da psicóloga clínica gestora do centro de apoio médico e pericial da secretaria de estado de administração prisional de Minas Gerais, Vilene Eulálio de Magalhães, cuja presença constava na programação. “É uma pena porque ela poderia ter trago um pouco de bagagem prática”, comentou uma estudante de Psicologia.

Alunos dos cursos de Direito e Jornalismo também participaram do evento que teve como proposta problematizar as causas da violência urbana, na perspectiva do tratamento midiático sobre o tema, questionando ainda o Sistema Prisional Brasileiro. Porém, a conversa desdobrou-se em outros temas que acaloraram a discussão, como a desmilitarização, os critérios de abordagem policial e a adoção de estereótipos nos procedimentos da área.

Da esquerda para direita, o advogado, Dr. Willian, a professora de Psicologia, Maria Helena Cunha, a Coronel Claudia Romualdo e o professor de Jornalismo, Hugo Teixeira. Foto: Catherina DiasO ponto alto da discussão veio através do seguinte comentário: “Os mais abordados são os pretos e pobres”, como disse o advogado e Presidente da Comissão de Direitos Humanos - OAB/MG, Dr. Willian dos Santos. A Coronel e representante da Policia Militar, Claudia Romualdo, rebateu: “Eu não diria ‘pretos e pobres’, mas o que me levou a abordá-los, no sentido de seu comportamento, e o que me causou desconfiança. ”

Outro ponto foi a questão da segurança pública que, segundo o advogado, deveria sofrer uma reforma. “Ela não deveria ser caso de polícia e nem deveria estar no artigo 144 da Constituição Federal, para mim, ela deveria ser tratada como um direito social e estar no mesmo patamar que saúde, educação, ou seja, em nosso artigo 6. Nossa sociedade é hipócrita, a reforma na segurança é mais importante que a reforma da previdência. ”

“Eu conheço de perto os dramas e as falhas do sistema, e no debate não foram expostos os argumentos, mas sim houve diversas acusações, sendo que isso é uma crise generalizada. É mais fácil culpar os outros do que reconhecer os próprios erros”, discordou a estudante de Jornalismo, Pollyana Gradisse, alegando que uma reforma na segurança exige soluções anteriores.

Devido ao impacto que a discussão gerou, a coordenadora da palestra e professora de psicologia, Maria Helena Cunha, destacou outra proposta da palestra. “Esta conferência e a presença de vocês aqui serviu para mexer na zona de desconforto. Esta foi uma proposta alcançada, porque é um tema delicado e complexo que demanda muita leitura e tempo de discussão, coisa que este tempo de duas horas não comporta”, enfatizou.

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