A gastronomia que transforma

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Belo Horizonte foi reconhecida pela Unesco por sua gastronomia, mas a comida mineira já vem mudando a vida dos mineiros há muito tempo.

Chefe Eduardo Maya. Foto: Projeto Aproxima / Reprodução

Belo Horizonte foi reconhecida pela Unesco por algo que os mineiros já conheciam muito bem: sua gastronomia. A capital foi escolhida como uma das 66 cidades que integram a Rede de Cidades Criativas, que conta com categorias como cinema, design e música, e BH entrou para a lista na área de gastronomia, ao lado de outras três cidades brasileiras: Florianópolis, Belém e Paraty. Eduardo Maya é um dos responsáveis por essa conquista. Apesar de ter nascido no Rio de Janeiro, adotou a capital mineira como sua casa, e foi aqui que construiu o seu legado. "Quando visitei BH pela primeira vez, me encantei pela tranquilidade da cidade. Foi por isso que decidi morar aqui", conta.

Atrás do balcão

Há 20 anos, Eduardo deu início ao Comida di Buteco, um concurso de cozinha de raiz que valoriza algo que os mineiros sempre tiveram em alta conta: o tira gosto que acompanha a cerveja na mesa do bar. O cozinheiro conta que, na época, o projeto saiu em vários jornais do mundo todo. "Agora, com o reconhecimento da Unesco, BH está ainda mais famosa, o que traz muita responsabilidade para a cidade. Vamos atrair muitas pessoas com interesse de comer aqui, e não podemos decepcionar". E Eduardo Maya está fazendo sua parte.

O concurso, que dá mais visibilidade à importância da gastronomia mineira, também traz muitos benefícios para os donos dos estabelecimentos participantes. "O Comida di Buteco dá muita visibilidade ao espaço, além da exposição na mídia. Muitas pessoas passaram a conhecer o nosso restaurante por causa do concurso, e o movimento aqui foi grande durante os dias da competição", conta Laurita Oliveira, dona do Barracão Butiquim. O bar existe desde 2008, e funciona embaixo da casa de Laurita, que conta que, no início, recebia apenas amigos e familiares para beber e conversar, mas acabou resolvendo abrir um negócio. "O primeiro dia bombou, e depois o movimento só foi aumentando. Nosso prato mais famoso é o 'Batata Rostie', que atrai muita gente até hoje".

Toninho, do bar "Toninho Alto Forno", só vê pontos positivos em participar de competições como o Comida di Buteco. "Atrai novos clientes para o bar, eleva a gastronomia mineira e a gente ainda faz novas amizades", diz o empreendedor. O bar do Toninho fica no bairro Santo André, e fica aberto até às duas da manhã de terça a quinta. Já na sexta e no sábado, o bar só fecha às 3h.

Barracao Butiquim. Foto: SouBH / Reproducao

Na mesa do bar

O Comida di Buteco não é bom só para os donos de bares. Quem aprecia e curte a gastronomia mineira também se beneficia com o concurso. A engenheira Ana Clara é apaixonada pelo concurso, e todo ano entra no site do Comida di Buteco para descobrir os participantes. “Por serem escolhidos cuidadosamente, os pratos participantes são excelentes. Vale a pena ir experimentar, e sempre chamo meus amigos e recomendo que todos visitem os estabelecimentos participantes. E os preços mais baixos durante o concurso também ajudam (risos)”, conta.

Os fãs do Comida di Buteco concordam: a maior vantagem do concurso é a comida boa. "Eu amo visitar os bares participantes, e depois do concurso continuo frequentando e experimentando os pratos que tiveram destaque na competição. Inclusive, acho que deveria frequentar mais esses estabelecimentos", conta o engenheiro Carlos Joviano, que tem por hábito experimentar os principais pratos da gastronomia tradicional de BH.

Nas ruas

Depois do Comida di Buteco, Eduardo começou a transmitir o conhecimento culinário que adquiriu sozinho, em suas muitas viagens pelo Brasil e pelo mundo. Em seu Centro Culinário, localizado no coração da Savassi, um dos bairros mais famosos de BH, ele oferece cursos e conta sobre suas vivências dentro e fora da cozinha. Depois de se desligar do Comida di Buteco, Eduardo criou o Projeto Aproxima, uma feira de rua que acontece sempre no primeiro sábado do mês, em uma das praças de BH. "O objetivo do projeto é aproximar. Aproximar Minas dos mineiros, do Brasil e do mundo”. Mas não pára por aí. O chef conta que a feira também transforma a vida dos produtores locais. "A Aproxima traz os melhores produtores de Minas para apresentar seus produtos aos clientes, proporcionando uma experiência nova e transformadora", relata.

"É uma experiência diferente, e é uma pena que só aconteça uma vez por mês (risos)", conta a professora Maria Mendes, que sempre vai à feirinha. "Mesmo que eu esteja com o dia corrido, tento dar uma passadinha para conferir o que tem de novidade". O evento é bastante diverso, e conta com stands de frutos do mar, geleias, frutas, cervejas artesanais, cachaças e muito mais. Além da enorme variedade, o ambiente é descontraído, alegre e democrático. "Dá pra trazer as crianças, os pets, reunir a família e viver tudo que BH tem de melhor", conta Maria. Sobre a conquista recente de BH como uma das cidades criativas do mundo da gastronomia, a professora é categórica: "o mundo todo merece viver a gastronomia da capital de Minas Gerais".

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