Eram 23h de uma noite sem luar, quando cheguei ao ponto de ônibus, após um dia de trabalho. Havia um mendigo sentado no canto do banco, de braços cruzados e sem se mexer. Devia estar ali, quieto, há horas. Devia estar bêbedo e sem a menor condição de ir para casa. Ou, quem sabe, tivesse esperando o primeiro deslize para dar o bote no primeiro bobo descuidado que aparecesse.

O primeiro relatório do Observatório das Representações da Cidade na Mídia, projeto ligado aos cursos de Comunicação Social e que integra o Programa de Extensão da Universidade FUMEC, analisa as representações das ocupações urbanas de Belo Horizonte em matérias dos jornais mineiros Estado de Minas, O Tempo e Hoje em Dia. A escolha desses jornais deu-se em função de sua identificação com a chamada “grande mídia”, aquela socialmente dominante na disseminação de informações e formação de opiniões, à qual hoje se contrapõe um jornalismo alternativo, crítico e que procura ser um canal democrático que viabiliza a exposição de diferentes pontos de vista e o debate entre eles.

Para entender o porquê do título estar aspas, a leitura deste artigo será fundamental. Quando pensei em me matricular no curso de Jornalismo, imaginava conviver em uma profissão exaustiva e de grande periculosidade em determinados ocasiões. Mas, ao fazer um trabalho solicitado por uma professora na manhã de uma terça-feira, descobri de uma assustadora forma o que a busca pela informação e por pontos de vista diferentes podem causar. O local escolhido foi a Praça da Liberdade, no coração de Belo Horizonte. Palco de grandes lutas sociais e de conquistas memoráveis para os mineiros.

O tripé macroeconômico criado pela equipe econômica do governo FHC em 1999 referia-se à adoção de alguns pré-requisitos que serviriam para sinalizar ao mercado um compromisso do governo com a boa condução da política econômica. Eram eles: uma taxa de câmbio flutuante (determinada pelo mercado baseada na relação entre ofertantes e demandantes de divisas), um regime de metas de inflação (em que o governo define o limite de inflação para cada ano) e uma meta de superávit primário (recursos necessários para pagamento dos juros da dívida pública).