Mediações e redes: impactos e desafios para o webjornalismo

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Sendo o jornalismo uma atividade central na comunicação social, ele desfruta da mediação entre instituições, assegurando a construção e enunciação informativa. Há diversos critérios para a elaboração jornalística, como o webjornalismo, uma produção que se caracteriza pelo jornalismo praticado no novo meio comunicacional da Internet.

A coleta de dados, observação, análise e investigação são etapas para a criação da notícia. No webjornalismo vemos ainda um trabalho específico para a modalidade, operando por regras e rotinas adaptadas ao meio.

Além disso, uma ruptura do jornalismo tradicional – em que o espectador não interagia entre si ou com a informação, ocorreu, inaugurando uma nova organização social da comunicação: os processos de construção não se encontram em monopólio do jornalista, como anteriormente no período da sociedade dos meios, mas também pelas fontes e receptores de tal produção.

No mundo da Internet, tanto erros quanto acertos se tornam perpetuados na rede. Após a emissão da notícia, sua circulação na web se torna incontrolável pelos produtores da informação, sendo reproduzidos e provocando desdobramentos.

Um renomado jornalista brasileiro sofreu consequências após ato indecoroso e racista ao expor opinião no meio televisivo sem saber que estava sendo filmado. O vídeo repercutiu na internet, resultou matérias e em desdobramento, sua demissão de uma emissora de prestígio.

Outro exemplo é o ator Jussie Smolett, astro da série Empire. Após ser atacado na rua e hospitalizado sob a possibilidade de um crime de ódio e homofobia, a investigação da polícia resultou em uma reviravolta: o ator orquestrou os crimes, aproveitando da temática ocorrente e revoltante para promover sua carreira e exigir um aumento salarial. O ator foi preso e liberado após fiança, mas o evento provocou sua demissão do personagem que interpretava em Empire e a possível decaída de sua carreira.

Jussie Smolett é um exemplo de um caso que circula na rede, se desdobra em inúmeras hipóteses e notícias, fora de um controle linear proposto por teorias jornalísticas (como gatekeeper), ganhando status de acontecimento segundo as lógicas da cultura digital.

Em outra contribuição para se analisar o fenômeno da internet e webjornalismo, temos recentemente as postagens realizadas pelo Presidente da República Jair Messias Bolsonaro. Após divulgar um vídeo com pornografia em sua conta oficial no Twitter, ele ainda perguntou sobre a prática sexual denonimada “golden shower”, causando repulsa na mídia e nos usuários do veículo. O presidente utilizou de sua visibilidade, repercutindo internacionalmente e se desdobrando na crítica imediata pela circulação em massa do conteúdo impróprio.

Plataformas onde todos os indivíduos podem opinar e divulgar notícias, compartilhar conteúdos sem a mediação de conhecedores da área ou limites para a informação provocam uma necessidade reflexiva. O aumento de “fake news” – notícias falsas, de crimes de ódio cibernéticos, exposições imprudentes e a disseminação sem controle de eventos, são desafios para o webjornalismo. Construir uma rede segura e informativa permanece um objetivo complexo em meio ao cenário midiático.