O silêncio dos inocentes

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Quem acompanhava o Big Brother Brasil 5, nunca imaginaria que cinco anos depois, Jean Wyllys sairia vitorioso de mais uma competição, desta vez na Câmara dos Deputados. Aqueles que espiavam a casa mais vigiada do país, também não sonhavam que Wyllys, em 2019, teria que abdicar de seu terceiro mandato consecutivo devido a ameaças de morte.

Desde antes do assassinato de Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, o deputado federal já era atacado, mas tudo piorou quando o carro da vereadora foi alvejado em março do ano passado. A execução sem culpados fez com que os covardes se sentissem corajosos, atrás de seus celulares, é claro. Nas redes sociais, Wyllys foi transformado em uma figura que merecia a perseguição.

As fake news sobre ele se espalharam como fogo, incitadas por figuras políticas, entre elas Carlos e Eduardo Bolsonaro, pouco preocupadas em melhorar a qualidade de vida da população, e sim desesperadas para derrubar um nome importante, que representa uma das minorias mais agredidas em nossa sociedade.

Abertamente gay, ativista LGBT e envolvido na política, Wyllys não poderia ter nascido em um país pior para ser quem se é. O Brasil não é um país de todos. Marielle sentiu na pele. Rafael Braga sentiu na pele. Dandara sentiu na pele. O fato não mereceu uma palavra do presidente Jair Bolsonaro, o descaso do governo atual às ameaças à vida de um deputado, escolhido por mais de 20 mil eleitores, é apenas mais uma amostra do desrespeito à vida, não só dele, mas de cada pessoa parte de grupos discriminados.

Pelo mesmo motivo de Wyllys, a antropóloga e ex-professora da UnB, Débora Diniz, buscou o exílio. Em 2018, ela se juntou com o Psol para elaborar a ação que propõe a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. O resto é história.

Ela sofreu ataques na internet. Foi chamada de assassina, monstro e agressões mais graves, chegaram a ligar para ela e fazer ameaças explícitas, de morte, por defender o direito da mulher decidir ser ou não mãe. De nada adiantou buscar ajuda nas autoridades e pouco depois da vitória de Jair Bolsonaro, o Brasil não era mais o seu lar.

Enquanto uns são expulsos por bradar por igualdade, outros são ovacionados pelo contrário. Se você apoia  a tortura, diminui mulheres, LGBTs, indígenas, imigrantes e nordestinos, aqui é o seu lugar. Se não, faça as malas.