O feminicídio nos jornais mineiros

Observatório de Mídias
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Esperamos que a análise que ora apresentamos neste relatório e publicamos no portal Conecta, do curso de Jornalismo da FUMEC, contribua para a reflexão sobre a qualidade do jornalismo praticado por três jornais mineiros, para a avaliação do cumprimento de sua função cidadã e para ajudar na formação de uma postura crítica diante de nossa mídia.

No período de março a julho de 2017, a equipe do Observatório das Representações da Cidade na Mídia selecionou e analisou matérias jornalísticas publicadas na versão online de três jornais mineiros, Estado de Minas, Hoje em dia, O Tempo, para saber qual o tratamento dado ao feminicídio nos textos jornalísticos, tema de interesse da edição número 2.

Dados do Instituto Patrícia Galvão sobre o feminicídio e a cobertura da mídia, entre janeiro e dezembro de 2010, mostram que, de 2.381 notícias encontradas nas mídias pesquisadas, o tema violência se destacou, apresentando-se em 63,3% dos textos. De acordo com os pesquisadores, no caso da violência, a cobertura aparece somente nos cadernos policiais e/ou locais como um problema individualizado, mesmo com assuntos de grande repercussão. De acordo com eles, as pautas sobre violência quase não estimularam um debate social ou legal, mesmo com a entrada em vigor da Lei Maria da Penha.

É necessário que a imprensa chame para si a tarefa de mudar as representações comuns de gênero observadas nas matérias. Para isso, o jornalista precisa refletir sobre o conteúdo que produz e sobre a informação que dissemina, desde a Universidade. A sociedade civil, ao cobrar responsabilidade do jornalista, fecha o ciclo e permite o exercício democrático, a exemplo do Observatório das Representações da Cidade na Mídia.

RELATÓRIO 2 – O FEMINICÌDIO MOS JORNAIS MINEIROS