Jornalismo de resistência e alternativas à mídia tradicional

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A chamada "era da informação" está proporcionando novos moldes de cobertura jornalística para o universo da comunicação. O desenvolvimento da internet e suas plataformas está fazendo com que as ferramentas do fazer jornalístico se tornem cada vez mais acessíveis e, dessa forma, estamos vivendo um momento de crescimento exponencial de veículos independentes de mídia que estão descentralizando a informação e seu fluxo através da rede. Para discutir essas questões, acontecerá durante o Intercom, na Universidade FUMEC, uma mesa redonda de debates sobre o jornalismo de resistência e as mídias independentes

 Estamos vivendo o ápice da chamada era da informação, também conhecida como era digital. Este momento de desenvolvimento tecnológico é marcado pelo avanço e popularização do ciberespaço e a consequente mudança na forma com que a informação é armazenada e difundida através das mídias digitais. Um dos aspectos mais marcantes deste novo cenário tecnológico e informacional diz respeito ao universo da comunicação.

A internet vem propondo novas formas de interação entre as pessoas através do compartilhamento de informações e opiniões através de plataformas como websites e redes sociais. Tais tecnologias estão revolucionando a comunicação, de forma que os profissionais da área têm tido acesso à cada vez mais recursos de produção, publicação e difusão de seus trabalhos, além de um maior potencial de interação com o público. 

Em meio a isso, podemos observar um crescimento muito grande da quantidade de veículos independentes de comunicação, que utilizam as plataformas e recursos tecnológicos oferecidos pela web como ferramenta de produção e fluxo de conteúdo informativo. Estes veículos, também chamados de mídias independentes, agregam diferentes mídias e recursos, como fotografias, vídeos, áudios, gráficos e hiperlinks para a construção de seus produtos, o que os torna ainda mais ricos de informação. O que antes era possível de ser executado apenas através dos grandes veículos, que possuíam altos investimentos, hoje está mais acessível para comunicadores que desejam produzir conteúdo sem estarem submetidos a lógica do mercado tradicional do jornalismo.

Um exemplo marcante disso são as transmissões ao vivo, tecnologia hoje oferecida pelas redes sociais de forma gratuita, o que até alguns anos atrás estava restrita às grandes empresas. 

Para além do aspecto técnico e tecnológico, o grande potencial da descentralização do fazer jornalístico está na questão do conteúdo. As mídias independentes atuam por conta própria e, por isso, têm autonomia suficiente para discutir conteúdos alternativos a aqueles que já tem visibilidade através dos grandes veículos. O agendamento de conteúdo da mídia convencional utiliza parâmetros nem sempre acordados com o interesse público, mas sim com os interesses do capital e dos poderes vigentes, o que limita a quantidade e qualidade da informação que recebemos.

Os veículos alternativos de comunicação costumam abordar conteúdos de menor visibilidade, propondo uma resistência às temáticas preferidas pela grande mídia. As grandes mídias no Brasil trabalham vinculadas aos agentes protagonistas do poder na política e na economia, e sua lógica de produção atua na manutenção deste poder. O jornalismo de resistência, como o nome já diz, resiste à lógica de mercantilização da produção.

Um grande marco deste cenário de apropriação de recursos tecnológicos e proposta de conteúdo alternativo no Brasil foram as manifestações de 2013. Veículos independentes como a Mídia Ninja cobriram os acontecimentos dá época em tempo real através de transmissões ao vivo e boletins em forma de texto, fotografia, vídeo, que mais tarde seriam reconstruídos em forma de reportagens aprofundadas. Atualmente, existem diversos portais de mídia que atendem interesses de públicos diversos, como o Jornalistas Livres, a Revista Vaidapé, além dos blogs de grandes jornalistas como Antônio MelloMino Carta e Luiz Carlos Azenha.

Mesa de debate: Intercom Sudeste 2018

Neste ano, a Universidade FUMEC sediará o Itercom, um dos maiores congressos do Brasil, de ciências da comunicação. O fenômeno das mídias independentes tem um papel totalmente revelante no atual cenário de desenvolvimento da comunicação alternativa, e não poderia ficar de fora das discussões propostas pelo evento. No dia 8 de junho, será ministrada pelos jornalistas Paulo Henrique Amorim, editor do blog Conversa Afiada, e Felipe Pena, professor da Universidade Federal Fluminense, uma mesa de debate sobre o chamado jornalismo de resistência e as alternativas à mídia tradicional.

Paulo Henrique Amorim é conhecido por se posicionar criticamente em relação à mídia, é um dos criadores da sigla PIG (Partido da Imprensa Golpista), e um dos mais populares representantes do jornalismo independente no Brasil. 

A mesa acontecerá no Auditório Phoenix, na Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde, na Universidade FUMEC, das 11 às 13h. 

A programação completa do Intercom Sudeste 2018 está disponível no site oficial do evento