Jornalismo: tendências e desafios

Blog
Typography

 Ao pensar sobre as tendências do jornalismo brasileiro, deve-se pesquisar o que se encontra na mídia como uma referência segura. O contexto pode responder sobre o texto. O Observatório da Imprensa listou dez tendências: Proteção ao Jornalismo na era da vigilância; Mobilidade; Verificação; Métricas; Vídeo; Mulheres no comando; Jornalismo colaborativo; Megamatérias; Publicidade nativa; e O novo editor.

Segundo Marcelo Rech, diretor executivo de Jornalismo do Grupo RBS, é importante cuidar da segurança das informações, dos relacionamentos e dos procedimentos de todo o trabalho jornalístico. Vivemos em um tempo de grandes investidas de espionagens. Ele fala também sobre a mobilidade dos meios de comunicação, que trouxe poder de emissão e recepção para todos. Isso muda a forma com que se pode fazer jornalismo.

Cresce a necessidade de uma apuração eficiente. Em tempo de pós-verdade, deve-se trabalhar para a certeza de que o que será publicado é firmado em verdade. O trabalho dos jornalistas ganha valor na capacidade de apuração precisa e rápida, separando o que é falso do verdadeiro.

O universo digital da interação trouxe o poder da contabilidade de dados. A audiência e seu engajamento, com feedback imediato, permite aos veículos e empresas terem uma visão clara e numérica do seu consumidor e o que ele deseja. As pessoas, cada dia mais, optam por um conteúdo visual rápido. O poder do vídeo é universal, irresistível e irreversível. Deve-se favorecer a notícia com imagens vivas, impactantes.

A capacidade e virtudes das mulheres, cuidadosas dos detalhes, começa a ganhar lugar no mercado, onde a diferença soberana pode estar em pequenas coisas. A tendência do jornalismo e de muitas outras áreas do mercado é de que haja um crescimento cada vez maior da liderança das mulheres.

As relações colaborativas são uma realidade. Conrado Adolpho, autor do livro Os 8 Ps do Marketing Digital, mostra em seu texto que a empresa já não é mais “dona” do destino de seus produtos ou marcas. É o consumidor quem aponta dados que direcionam o que será produzido, como será produzido, quando será ofertado. O poder de customizar que as pessoas possuem hoje as torna coparticipantes, e, portanto, altamente interessadas e comprometidas com o que se veicula, publica, vende... O jornalista ou as empresas de comunicação não seguirão prosperando sem a devida atenção às ações colaborativas.

Por incrível que possa parecer, há uma crescente demanda por textos que se aprofundam nos assuntos, que se debruçam nas investigações e na forma intensa com que apresentam ao leitor o que é de seu interesse. Contrário ao interesse comercial dos muitos veículos, preocupados apenas em lucros financeiros, o futuro promete um público mais exigente, que continuará gostando de publicações instantâneas, mas que tem, de forma crescente, necessidade de solidez para muitos assuntos.

Outra tendência, vista desde agora, é a “publicidade nativa”. É o conteúdo patrocinado, sem as formas comerciais tradicionais, que anuncia o interesse particular da empresa e apresenta os produtos e serviços como uma matéria interessante e fundamentada. Essa nova forma de publicidade é um desafio para padrões de integridade, mas é inevitável. A transparência dos meios de comunicação quanto ao conteúdo patrocinado ainda passará por muitas transformações e regulamentações.

Por fim, o novo profissional. Seja o editor, seja o repórter, o novo profissional precisa dominar muitas áreas, é a realidade da comunicação digital. Não se sustentam mais as grandes equipes. A velocidade da informação que chega e deve ser compartilhada, exige profissionais que pensam no todo, agem com multiferramentas e não apenas sabem fazer uma determinada atividade, mas sabem se relacionar com todos.

Para que serve tudo isso? Se não há a intenção de crescimento, aprimoramento, avanço para interação e frutificação, de nada interessa saber sobre tendências. Pode-se “seguir o baile”. Haverá apenas um indivíduo buscando pagar as contas. Porém, se o profissional, o estudante, deseja construir algo sólido, já deve virar o volante das suas ideias e ações para essas tendências universais, que dizem respeito ao jornalismo, mas que alcançam todas as áreas da vida.

“Permanece aquele que tem um brilho nos olhos”. Essa foi a resposta da editora do caderno Suplementos no Jornal Estado de Minas, Tereza Caram, ao ser perguntada sobre o futuro do jornalismo e dos jornalistas. Diante de tantas mudanças, transições e inseguranças, quem permanecerá de pé no mundo da comunicação?