Poesia sobre a consciência negra

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Olho no espelho. Olhos que choram e se desfazem.
Olhos negros em peles negras que erguem as mãos em desespero e clamam!

“Eu tenho um sonho”
São dezenas de sonhos.
Não, são centenas de sonhos.
Não! São milhares de sonhos de pobres e lutadores que anseiam, que gritam silenciosamente pela liberdade.
Sou negra. De sangue vivo. Vivo o negro na pele.
“Eu tenho um sonho”
Sonho que gira e gira e acorda em pesadelo
De ver meus filhos sorrindo sem ter raiva de sua cor
De ver minhas filhas sorrindo sem chorar de seus cabelos
De ver minhas crianças sorrindo
E de dor se entrelaça raiz, de labor
Ah, ingenuidade, daquele que não acha que o sonho é seu
Cegueira não dispensa a culpa
Sinhá também fez esculpa
E sobra-se um mundo. Um homem. Um amor.