Um novo tripé nacional

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O tripé macroeconômico criado pela equipe econômica do governo FHC em 1999 referia-se à adoção de alguns pré-requisitos que serviriam para sinalizar ao mercado um compromisso do governo com a boa condução da política econômica. Eram eles: uma taxa de câmbio flutuante (determinada pelo mercado baseada na relação entre ofertantes e demandantes de divisas), um regime de metas de inflação (em que o governo define o limite de inflação para cada ano) e uma meta de superávit primário (recursos necessários para pagamento dos juros da dívida pública).

 Quando da sua efetiva adoção, este foi muito bem recebido pelos agentes, pois se observou uma maior transparência nos objetivos e ações que o governo promoveria, dando assim mais credibilidade e transparência. Contudo, com o passar do tempo, foi sendo abandonado, embora os responsáveis da hora, na área econômica, alegassem que tal fato não ocorreu e que o tripé se manteve, o que ensejou muitas controvérsias.

Junto a isso, ocorreram crises econômicas, impeachment, lava jato e tudo mais que pudesse conturbar tanto o ambiente econômico quanto político. O país de repente se encontrou num cenário estático com pouco dinamismo. Com as novas medidas adotadas pelo governo empossado, observou-se que de fato a economia parou de decrescer, mas se encontra em ritmo lento de crescimento, com diversas indefinições quanto ao futuro, embora se divulgue uma enorme boa vontade por parte dos investidores. Mas, ainda sim, é momento de aguardar.

Um novo tripé, de uma maneira bem genérica, talvez diga respeito às questões política, econômica e social. Assim como no tripé macroeconômico, as três partes precisam interagir para que haja uma concentração de esforços em busca dos resultados esperados por toda a sociedade.

Quanto ao aspecto político, observa se um conflito que possui duas óticas: a do ponto de vista interno, que trata de um embate entre partidos políticos em busca de poder, isto é, indicações ministeriais, autarquias, empresas estatais ou qualquer outro lugar em que consigam resguardar seus interesses. Para outros partidos, a busca por um reles lugar ao sol já justifica toda a luta, toda a barganha, desde que seus mínimos interesses sejam atendidos. Gostem ou não, isso faz parte da regra do jogo e, principalmente, do sistema político brasileiro. Já no ponto de vista externo, se vê um embate entre poderes, fato até então pouco ou quase nunca vislumbrado, principalmente no tocante à judicialização da política, ou a politização do judiciário, destacando que o poder executivo navega à margem.

Sob o aspecto econômico, queira ou não, ainda falta credibilidade ao governo. Pode se discutir que este não tem legitimidade, ou que ainda não conseguiu de fato aprovar reformas de grande vulto, como por exemplo, a trabalhista e a previdenciária, tão esperadas, como se fossem um certificado de bons antecedentes. Trata-se de um governo de contenção, e o que se espera dele é que não piore o que já estava ruim e quanto muito possa apresentar e executar algumas propostas politicamente indesejáveis que se encontravam no limbo para análise e futura aprovação.

Já no aspecto social, o discurso apresentado por parte do governo sempre aparenta ser de suma relevância para o país. Porém, na prática, interesses maiores acabam prevalecendo, embora se negue de maneira acintosa tal colocação, mas acaba que o lado social tem um alcance extenso, no que diz respeito à sociedade. Aqui se fala de saúde, educação, emprego, previdência, tudo aquilo que afeta o cotidiano da população, sendo seus efeitos mais fáceis de serem identificados e sentidos. Deste modo, o que se observa é que os outros dois pontos de sustentação, o político e o econômico, acabam servindo de base para que o lado social possa de fato se fazer executar de modo adequado. Ainda mais neste momento de crise, quando a demanda por serviços sob a égide do Estado aumenta significativamente. Isto é, o social nada mais é do que um resultado do âmbito político e econômico.

Não seria de bom tom hierarquizar qual destes é o mais relevante, dado que não há verdade absoluta, neste quesito, uma vez que eles interagem. Mas é fato que os aspectos político e jurídico, nos dias atuais, tomaram uma proporção muito além do desejado. Tudo passa por eles, não que antes isto não ocorresse, mas nunca numa magnitude destas. É preciso sim equacionar os conflitos, mas deixando claro que isto não significa simplesmente jogar a sujeira para debaixo do tapete, mas que seja recolhida e descartada de modo correto. Assim o país voltará a respirar e a crescer novamente.