Um caminho chamado exportação

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É um fato emblemático na história da economia brasileira. Sempre que um cenário de crise se apresenta, surge um discurso emblemático, que mais parece já pronto, a ser enaltecido por todos, que trata da relevância das exportações como fator preponderante em favor da recuperação da economia, colocando-a num patamar de redenção nacional para as mazelas que o país sofre.

 

A exportação é um fator relevante para o crescimento de qualquer economia, dada sua geração de renda e emprego nas diversas esferas da atividade econômica. Porém em determinados momentos, sua relevância se dilui de acordo com o cenário em questão, dado seu efeito limitado. Pois quando a economia apresenta cenário interno favorável, a questão da exportação aparenta passar a um segundo plano, pois a demanda interna toma uma proporção muito mais relevante para qualquer expectativa de retomada da economia.

O fato é que as exportações não podem ser vistas simplesmente como uma “saída” para os momentos de crise, mas sim como uma política comercial que permita a continuidade nas relações comerciais, benéficas para o país, independentemente das situações conjunturais que passa a economia brasileira.

Diversos entraves são encontrados ao longo do processo de exportação. Por exemplo, a questão tributária, gargalos de logística e infraestrutura, a taxa de câmbio. De modo que tudo isso acaba sendo apontado como empecilhos, tanto para as transações vigentes como para as futuras, levando o empresário, algumas vezes, a realmente preferir se voltar para o mercado interno em detrimento do externo, vindo a romper relações comerciais com clientes externos que foram arduamente conquistados, dando descontinuidade a uma parceria tão relevante ao país.

Se o país almeja ter ganhos com o setor exportador não pode pensar em ficar “refém” de gargalos que devem ser pelo menos minimizados dentro da realidade atual e principalmente por algo bem relevante neste segmento: a taxa de câmbio que propicia, por hora, ganhos ao setor exportador. Embora se tenha um sistema de taxa de câmbio flutuante, o próprio governo faz intervenções no mercado cambial de acordo com a orientação da sua política econômica. Algumas vezes beneficiando o setor exportador outras não. Lembrando que o fato de a moeda nacional se encontrar em determinados momentos valorizada serve como impulso a importação de máquinas, equipamentos, insumos que permitem um aumento da produtividade e também da competitividade dos produtos nacionais. 

Por sua vez, grande parte da pauta das exportações brasileiras continua sendo de commodities agrícolas, que possuem cotação internacional, enquanto que produtos manufaturados, com maior valor agregado, ainda necessitam de maior competitividade frente aos concorrentes de outros países. 

Com vista a reduzir tais entraves, o governo criou o Plano Nacional de Exportação que visa dar maior competitividade as empresas nacionais através do crescimento da própria economia, da produção de bens com maior valor agregado, investimentos em infraestrutura, desonerações tributárias, etc. Embora o Plano tenha boas intenções - como diversos outros já tiveram e acabaram sendo esvaziados com o passar do tempo, dado as diversas demandas que vão surgindo, algumas de suas premissas básicas, embora relevantes, necessitam de tempo para sua aprovação e execução, o que, na maioria das vezes, compromete os cenários das negociações, pondo muito a perder para os envolvidos. 

O fato é que a existência do Plano em si já é um ganho para a política comercial brasileira. Porém sua completa implantação passa por diversas esferas e trâmites que não podem se perder em burocracias e negociações políticas e que atrasem ainda mais algo tão relevante para o crescimento da economia brasileira.