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E se cada dia a gente olhar diferente?

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Eu era uma setelagoana, acostumada com poucos carros e poucas pessoas atravessando as ruas. Foi quando comecei a ir e vir de Sete Lagoas para BH todos os dias, que avistei um fluxo tão louco e intenso, que não gostei nem um pouco. Nos primeiros meses era um susto não enxergar a linha de pedestre, porque havia tantas pessoas atravessando que a mesma sumia. Até que o olhar cotidiano começou a acostumar, mas não amava ainda.

 

Quando comecei a ter que atravessar a Afonso Pena para almoçar, enquanto esperava o sinal abrir, avistei do outro lado da rua uma menina dançando. Os cabelos dela voavam. Mas ela não era uma louca que dançava esperando seu ônibus, ela era um dos vários grafites espalhados pela grande BH. Eu me encantei com ele, e resolvi tirar uma foto. Rapidamente peguei o celular e pronto, a menina dançando na parede estava nas minhas redes sociais. Foi aí que comecei a olhar para os cantos por onde passava, e vi que BH é linda.

Daí surgiu o projeto “Desvendando BH”, ele apareceu como uma necessidade minha de extrair beleza, do que a correria torna despercebido. E a interiorana que se assustava com a grandeza, hoje a ama. No trajeto faculdade-Uber-rodoviária, onde passo sempre muito cansada, resolvi parar de reclamar e começar a contemplar pelas janelas. A cura do meu mau humor com a rotina foi essa: me tornar uma detetive das lindezas belorizontinas. Como tudo é instantâneo, passa correndo pela minha própria correria, esse projeto é o único dos que tenho em que as fotos são feitas pelo meu celular. Não dá para andar com uma câmera por aí: essas fotos simplesmente acontecem.

É um prazer enorme quando elas dão certo e uma frustração danada quando o semáforo resolve se mostrar verde, antes de eu conseguir capturar aquele céu, aquele prédio, aquela árvore, aquela pessoa. Assim como a rotina essas fotos correm. São tiradas em segundos, segundos de catarses que tenho encantada com o que muitos poderiam se encantar. As pessoas não enxergam direito porque tem pressa. Mas mesmo apressado dá pra fisgar maravilhas.

Eu aprendi com essas fotos. Eu desvendei com elas. E hoje percebo que aquela malha atravessando nunca reparou na menina que dança, que todo mundo que pega o ônibus comigo não vê o moço que dorme no banco da plataforma e o mais incrível: nem o morador daquele prédio sabe que a janela dele guarda inúmeros cliques de céus maravilhosos. Há um ditado dizendo que “a pressa é inimiga da perfeição”. Eu e minhas fotos vamos tentar provar que esse negócio é relativo. A pressa é inimiga do olhar poético, porque a gente acredita que rotina é uma coisa muito chata. Chata por quê? Porque é todo dia a mesma rua, o mesmo lugar, o mesmo caminho. Mas e se a cada dia a gente olhar diferente? Isso é desvendar BH. Esse é o meu projeto: tornar minha rotina gostosa e criar um amor pela cidade grande.

 Confira a galeria de fotos

  

Por Letícia Gontijo Vasconcelos 2º período