Contato Visceral: uma apresentação do filme

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“Você é o embrulho? Pode sentir ele se movendo aí dentro... Não pode? A maioria não sabe quem você é. Eles não veem o mal e a ruindade do seu coração. Você precisa morrer”.

Contato Visceral é a história de Will, um bartender interpretado pelo ator Armie Hammer que, por acaso, encontra um celular deixado por alguns jovens no estabelecimento que trabalha. A trama se desenvolve ao redor do protagonista e de sua namorada Carrie, Dakota Johnson, em que ele acaba sendo perseguido por mensagens e cedendo à curiosidade de vasculhar pelo aparelho. Will e Carrie acabam encontrando fotos de cabeças cortadas, vídeos e informações sobre um possível ritual, sempre deixando a fonte do mal como parte de um mistério.

Will e Carrie em Contato Visceral (Foto: reprodução Netflix)


O pós-terror dirigido pelo iraniano Babak Anvari, autor de outros thrillers como “Sob a Sombra” e “Two & Two”, aborda o medo e pânico como frutos da própria mente de Will. Diferente dos gêneros de horror comumente produzidos, Contato Visceral expõe a “assombração” como um mero final merecido para o personagem-vilão. Will é um homem fraco, sem ambição e propósito na vida. A ameaça “sobrenatural” é, então, estimulada por seus conflitos internos e desvios morais.

Inspirado no livro “The Visible Filth”, traduzido como Sujeira Visível, de Nathan Ballingrud, o filme explora o título ao literal. O protagonista é sempre visto com um aspecto sórdido, deixando a barba por fazer e apresentando fisionomia suada. O elemento da sujeira, representado pelo estado imundo do próprio Will e dos insetos que se acumulam ao redor dele, também são fundamentais para a compreensão da trama. À medida que as consequências o tornam desprezível diante do espectador, a quantidade de insetos que o seguem e perturbam, denunciando sua imundice, é acentuada.

Uma cena importante, que denuncia a necessidade de uma purificação da mente e alma dos personagens, é o momento de suspense inquietante de Carrie submersa em uma banheira. A água passa de límpida para escura e torpe quase imediatamente, a personagem, então, parece sair da condição aprisionada pelo misterioso monstro.

 

Uma das cenas de mais suspense do filme (Foto: reprodução Netflix)

O filme, produzido pela Netflix, possui uma fotografia opaca, cada vez mais sóbria. O uso contínuo da cor vermelha nas cenas parece indicar o crescimento da violência e desespero do protagonista. Por fim, Will se torna o receptáculo perfeito para o inseto, um homem miserável, uma alusão à famosa obra de “A metamorfose” de Franz Kafka.

"Certa manhã, ao acordar após sonhos agitados, Gregor Samsa viu-se na sua cama, metamorfoseando num monstruoso inseto”.