BÁRBARA TEIXEIRA - 5º PERÍODO

Mais de 500 mil usuários por dia. Mais de 100 pessoas em pé em cada veículo e apenas uma chance de conseguir ir sentada até o trabalho. Esta é a realidade vivida pela estudante Ana Clara Freitas, 20 anos, usuária do transporte público há pelo menos metade desse tempo.

Superlotação e sensação de estar enjaulada fazem parte do seu dia a dia, já que é este o único meio de locomoção até o seu trabalho. Ela não reclama, apenas observa. Todo dia, ela encara uma maioria de rostos conhecidos, outros, nada familiares, parecem perdidos sem saber para onde estão indo.

Esta é BH para ela. Uma cidade com mais de meio milhão de usuários de ônibus e metrô, que faz o seu trajeto quase sempre se sentindo uma sardinha enlatada, torcendo para chegar o mais rápido possível ao seu destino final. É uma cidade com uma quantidade exorbitante de pessoas, indo e vindo, de todos os lugares. Atravessando ruas, andando em passeios, dirigindo carros.

Belo Horizonte, para Ana Clara, é observar de dentro do ônibus, por meio da janela, a paisagem do seu trajeto, repetidas vezes, já com o olhar viciado e sem perceber falhas que um estranho qualquer perceberia.

Mas, às vezes, acontece de observar uma cena na rua e imagina o que as pessoas estariam pensando."Será que sentem dó dos passageiros espremidos? Ou passam avoadas em pensamentos?" .

Apesar dos pesares, o transporte público é para Ana  um lugar de reflexão. Os 30 minutos de viagem são o seu tempo para devanear. Ela organiza as ideias, se lembra do aniversário de alguém, e esquecida como é: da roupa que esqueceu no varal.

A capital mineira e o seu transporte público andam. O ônibus move-se até mais do que veículos de passeio. Isso acontece devido a uma via reservada especialmente para as latas de sardinha, que os motoristas dos carros fazem de tudo para invadir.  

Pensar em andar de ônibus em BH é isso. É analisar tudo que está em torno de uma simples viagem de 30 minutos de um local ao outro. Para uns é uma eternidade, mas, para Ana Clara, é seu cotidiano e, quando não o segue, sente até falta.  

Também, pensar em andar de ônibus em BH é estar disposto a escutar todos os tipos de conversas. Sobre intimidades, tarefas a serem feitas, casos do dia ou semana anterior, enfim, é estar disposto a trocar momentos de sua vida com outra pessoa, e este outro pode ser o seu companheiro de banco ou quem está atrás de você, já que, mesmo falando baixo, o assunto ecoa para todos os cantos.

E aí vem aquela situação constrangedora: a reação das pessoas sobre o caso que você acabou de contar e eles acabaram de escutar. E se isso é no começo da viagem, prepare-se para os olhares desconfiados durante toda a viagem.

Andar em BH em um ônibus lotado é isso. É trocar experiências de variadas formas, com você mesmo, o outro e a cidade. É analisar os detalhes, ou simplesmente não enxergar o que está a sua frente. Mas só entendemos essa sensação andando em um ônibus lotado.

‘Hat-trick’, fãs de futebol que escutam esse termo logo pensam em um nome: Cristiano Ronaldo. O português já atingiu esse feito - três ou mais gols em uma partida - 52 duas vezes durante a carreira. Mas quem viveu no dia 10 de abril, “uma noite de CR7”, como Cristiano é chamado, foi o atacante Fred, ou melhor, o Rei dos Stories, como é conhecido pela fama que faz na ferramenta de fotos rápidas do Instagram.