Novas tecnologias afetam desenvolvimento de crianças e adolescentes

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Fica cada vez mais difícil,  em uma sociedade conectada, viver sem o apoio do mundo virtual. Há uma expressão muito utilizada na atualidade, de que as crianças já nascem com o celular na mão. Mas será que isso é saudável para elas?

É quase impossível fugir das novas tecnologias presentes desde o nascimento, como as inovações médicas, até a morte, com os avanços no tratamento das doenças. E é por isso que, quanto mais o tempo passa, mais difícil é educar as crianças longe dessas tecnologias. Um relatório realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desenvolveu novas diretrizes e recomendações para o uso das novas tecnologias e atividades físicas. Especialistas estudaram os efeitos que as telas podem causar às crianças a partir do tempo em que elas ficam conectadas. Foi possível observar alterações no sono e comportamentos sedentários em crianças com menos de cinco anos.

Thiago Ventura, pai de duas filhas de um ano e meio e quatro anos, revelou que a mais velha se irritava quando os pais tiravam o tablet de sua mão. “Há uns dois anos, eu e minha esposa, tínhamos um tablet e colocamos alguns joguinhos. Porém, a nossa filha mais velha, na época com uns dois anos, começou a ficar muito irritada quando era interrompida durante o uso. O tablet apresentou defeito e optamos por não consertá-lo”.


De acordo com a pediatra Gisele Aparecida Borges, apesar de estarmos inseridos em um mundo em que as novas tecnologias facilitam a nossa vida, tudo em excesso pode ser ruim. No caso das crianças, ela ressalta que o cérebro não é uma máquina e nem uma tela. O cérebro é um organismo extremamente complexo que se desenvolve da mesma forma a milhares de anos, e que dependendo do que é disponibilizado às crianças, isso atrapalha muito o desenvolvimento.


Buscando amenizar os problemas de desenvolvimento das crianças, o relatório deixou explícito o que, segundo Gisele, muitos pediatras já discutiam ao redor do mundo. Crianças menores de um ano não devem ter nenhum contato com as telas; de um a dois anos o tempo em frente às telas não pode passar de uma hora por dia; crianças até os cinco anos de idade não podem passar de duas horas de uso das telas por dia. Gisele explica que as crianças podem ter contato com as tecnologias, porém, devem ser ensinadas quando e no que mexer. 

 


Para ela, “crianças pequenas brincam e isso é comum delas. O que faz o cérebro se desenvolver positivamente e emocionalmente, de forma sadia, é o contato com o outro humano, então vídeos educativos não são educativos nesta faixa etária, eles são muito prejudiciais. Uma criança pequena que tem contato demais com a tela, ela trava a fala, ela não aprende a falar, por que o que faz o humano falar é com outra pessoa. Então não adianta colocar uma tela falante na frente de uma criança, ela não aprenderá a falar”.


Desta maneira, o relatório também destaca que a primeira infância é a mais importante para o desenvolvimento das crianças, incentivar as brincadeiras lúdicas é o que fará com que as crianças aprendam. Daniela Galvão, mãe de uma menina de uma menina de três anos, afirma que “brincadeiras mais lúdicas e jogos de correr e esconder, bonecas ou colorir e desenhar são atividades mais pedagógicas e são muito mais eficientes. Essas brincadeiras podem fazer com que elas tenham lá na frente um desenvolvimento bem melhor. A minha menina, com três anos, sabe o alfabeto inteiro. Ela conta até vinte, escreve nome e sobrenome e ela ama ler livros. Então eu acho que isso contribui muito mais para formação dela e para educação como um todo”.


A primeira infância é o que determina os hábitos até a idade adulta. Segundo o relatório, 80% dos adolescentes e 23% dos adultos não são “suficientemente ativos” e por isso, a OMS reforça que os hábitos saudáveis desde a infância são precursores para o fim do sedentarismo, insônia e o avanço das atividades físicas entre os jovens.


Também é possível ressaltar que a interação com as telas não interfere somente no desenvolvimento das crianças. Os adolescentes hoje estão mais isolados, não buscam relações sociais até mesmo com os próprios pais, eles se limitam somente à tela de um celular. Esta atitude vem desenvolvendo nos jovens doenças psicológicas que antes não haviam nesta faixa etária.


A facilidade de um celular nas mãos tanto das crianças quanto dos adolescentes pode causar danos que no futuro não podem ser revertidos. Segundo Gisele, as crianças não precisam e não devem ficar quietas. Elas precisam se mexer para crescerem saudáveis. Ela diz que há vinte anos não havia tanta tecnologia e que os pais da atualidade devem buscar esta referência para não deixarem seus filhos reféns de uma tela.


Brincadeiras que valorizam as cores, as formas e os movimentos das crianças são os mais recomendados para o desenvolvimento do raciocínio. Gisele afirma que aquela ideia de que colocar um celular na mão de uma criança em lugares públicos a deixará tranquila é falsa exatamente pelo fato de que é apenas a interação da criança com outras pessoas é que fará com que ela se comporte educadamente em público. O celular neste caso seria apenas um “curativo para um machucado muito maior do que ele pode curar”, ou seja, o aparelho serviria apenas de distração para a criança, mas não como algo educativo.

Saiba mais sobre o assunto:

OMS: para crescerem saudáveis, crianças devem sentar menos e brincar mais

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