Slam: poesia falada na noite de BH

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A plateia esperava para assistir à 4ª edição do ano do Slam Clube da Luta, no último 24 de abril., no teatro espanca!. As pessoas ficaram em silêncio interrompido pelos versos: “A carne que mais luta no mercado é a carne negra. A carne que mais luta no mercado é a carne negra”.

Parte dos rolês alternativos da capital mineira, o slam é uma expressão artística recente no Brasil. Embora, ele tenha sido criado nos Estados Unidos na década de 80, foi implantado em terras tupiniquins apenas nos anos 2000, pela MC paulistana Roberta Estrela D’Alva.

Nesta nova forma de recitar poesias, os participantes possuem três minutos para apresentarem os seus trabalhos - que devem ser autorais -, sem o auxílio de músicas de fundo ou equipamentos, além do microfone. Nesse curto espaço de tempo, o poeta tem liberdade para discorrer sobre assuntos variados sem interrupção.

Por ser um evento aberto a todos, o slam tornou-se um refúgio para as minorias da sociedade, LGBTs, negros, mulheres, e entre outros, são boa parte dos slammers. Os versos recitados no espanca! são um exemplo disso.

No slam, as experiências de vida se transformam em poesias / Foto: Stéfanie Xavier

No slam, as experiências de vida se transformam em poesias / Foto: Stéfanie Xavier

Os espectadores escutam com atenção aos versos dos participantes / Foto: Stéfanie Xavier

Os espectadores escutam com atenção aos versos dos participantes / Foto: Stéfanie Xavier

Presente no quarto Clube da Luta de 2019, o professor de filosofia Vagner Silva destaca a importância do slam na formação de seus alunos. “Sempre que vêm ao evento eu percebo várias mudanças neles, como na capacidade argumentativa e na forma crítica de enxergar o mundo”. Entre um poeta e outro, a plateia animava-se mais e mais. A cada “À luta! À voz! À voz! À luta!”, puxado pela apresentadora da festa, doses de resistência e coragem eram derramadas pelo espaço. O “ver a dor do outro” era despertado a cada estrofe.

Ouça dois poemas da noite.

                                                          

 

O slam é um estrondo, é o som de uma porta batendo. A poesia falada não segue a calmaria, comum do gênero poético, ela faz barulho, assim como os seus participantes.

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