CICATRIZ: MARCA OU INJUSTIÇA

Comportamento
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Como muitos dizem: a onda agora é concurso público. Mas até que ponto o processo seletivo é justo com seus candidatos? Até que ponto uma cicatriz pode interferir nessa seleção?

“Com seis anos de idade, eu cortei a parte posterior da minha perna direita na gangorra, tive que dar oito pontos e ficou uma cicatriz. O concurso foi o CFSD PMMG 2015 Nível Médio. Lá os candidatos passam por exames médicos e eles não dizem se está, ou não, apto. O resultado sai pela internet, alguns dias depois. Eu vi que estava inapto, ou seja, teria que voltar a BH para pegar o documento que tinha o motivo da inaptidão. Quando peguei e vi que era por causa da cicatriz, entrei com recurso administrativamente, o qual foi indeferido e não tinha o motivo”, afirma o estudante de Direito, Junio Guedes Rodrigues.

Conforme o relatório emitido pelo concurso, “a cicatriz com comprometimento estético pode ser socialmente estigmatizante, tanto no ambiente da caserna (quartel) quanto em sociedade”. 

Rodrigues conta ainda que todos os outros exames de saúde (sangue, coração, neurológico etc) exigidos estavam dentro dos conformes e que coube a ele entrar com recurso Judicial, devido à falta de paciência. No entanto, como o concurso não era para Teófilo Otoni (onde mora), optou por não entrar judicialmente e afirmou que "o concurso acabou ali”.

A subtenente do Centro de Recrutamento e Seleção (CRS) - PMMG, Major Graziela, declara que a inaptidão não é causada pela questão estética, alegando que “o médico de fora não analisa, não conhece a realidade do militar. As atividades físicas são puxadas, extenuantes".

"A nossa realidade é muito particular, então o nosso médico acompanha a nossa realidade, ele acompanha os acampamentos, os treinamentos, mesmo quando tem os empenhos fora é muito diferente de uma vida civil. A nossa exigência é para o exercício da carreira, existe rigor, né, então essa avaliação precisa ser muito criteriosa. Existe uma gama de profissões que vão exigir menos esforço físico da pessoa, aí ok, mas o nosso não", explica. "A gente vai ter que pular muro, rastejar, tem “N” situações em que ele pode se deparar e que a gente não tem como prever todas elas né, então ele (candidato) tem que tá realmente em excelentes condições, até porque aqui dentro ele pode se machucar né, se ele já entrar com algum resquício – a chance de uma lesão aqui é muito maior”, finaliza a Major.

Por Pietra de Souza Pessoa, Catherina Dias Rodrigues e Fernanda Lima de Vasconcelos.

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