A cobertura midiática das eleições para prefeito de BH

Política
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Este artigo baseia-se em uma análise de mídia realizada entre os dias 19 a 26 de setembro. A atividade da disciplina Ciência Política, ministrada pela professora Raquel Utsch, teve como objetivo refletir sobre as coberturas jornalísticas do primeiro turno da eleição para prefeito de Belo Horizonte.


Ao propormos observar os jornais O Tempo e Estado de Minas, queríamos saber como a grande mídia repassa as informações de interesse público para os internautas, como ocorre esse processo de emissão e recepção da informação. Em princípio, imaginávamos que as notícias fornecidas eram de interesse da população, uma vez que se trata de uma eleição para a prefeitura de uma cidade. Entretanto, logo percebemos que a mídia informa de acordo com seus interesses, sejam eles políticos, econômicos ou sociais.


No que diz respeito às análises dos dois portais, podemos observar que os dois tratam o assunto de maneiras distintas. No portal O Tempo, foi criado uma seção específica para as eleições de 2016 e que trazia o perfil dos candidatos à prefeitura da capital mineira, além de fazer um guia de eleitor, que esclarece as dúvidas surgidas na hora da votação.


Durante a semana, o portal O Tempo publicou cerca de 30 matérias sobre os candidatos à prefeitura. Entre elas, sete foram sobre as pesquisas de quem estava ganhando segundo o Datafolha, 10 sobre os debates feitos nas faculdades e eventos e 13 sobre propostas e problemas que o futuro prefeito iria enfrentar.


O portal trouxe abordagem interessante em algumas reportagens, ao apontar problemas da cidade para os quais os moradores querem solução, como saúde pública, educação e a promessa de uma nova linha de metrô que ainda não saiu do papel. Logo após essas reportagens, eram postadas outras com o conteúdo sobre o que os candidatos pensam quanto ao assunto e quais as suas propostas. No site também era possível encontrar a entrevista com cada um dos políticos. Além disso, o jornal trazia sempre a agenda de todos, apresentando o que fizeram naquele dia.


Os pontos positivos é que o veículo tentou abordar assuntos reivindicados pelos cidadãos, trouxe algumas propostas dos candidatos e o que cada um deles estava priorizando na campanha como, por exemplo, na reportagem sobre o metrô, na qual um dos candidatos expressa a sua principal preocupação - educação e segurança - não com esta reforma. No portal também era possível encontrar um teste para saber se os eleitores conheciam de verdade os candidatos.

“Questionamos como os candidatos não trocariam farpas, sendo que, acompanhando a mídia, eles viam que era esse o assunto tratado”

Apesar dos pontos positivos que citamos, O Tempo pecou em como tratou os debates dos candidatos. Em vez de trazer as suas ideias, as questões levantadas ou como cada candidato abordou a suas propostas e respondeu as perguntas, o jornal preferiu focar nas trocas de farpas e discussões pessoais em que eles entravam. As reportagens traziam no lide as principais informações, onde ocorreu o debate, quais dos candidatos compareceram e como foi – sempre com trocas de farpas. Porém, o corpo do texto era dedicado às trocas de “alfinetadas” e provocações dos candidatos, trazendo até mesmo aspas do que um criticava da vida pessoal do outro. Em uma das reportagens, o jornal, inclusive, trouxe uma retranca com o nome “Fala Candidato” que nada mais era que aspas dos candidatos atacando uns aos outros.


Na última reportagem que o portal postou sobre os debates, trouxe como título: “Em último debate candidatos prometem não trocar farpas e focar nas propostas”. Com isso, questionamos como os candidatos não trocariam farpas, sendo que, acompanhando a mídia, eles viam que era esse o assunto tratado.


Já o Estado de Minas fica aquém dessa produção realizada pelo O Tempo. No portal podemos perceber que os assuntos relacionados às eleições de 2016 foram postados na editoria de política, ou seja, eles não fizeram uma cobertura especial sobre o assunto. A maioria das matérias publicadas nesta editoria trata mais sobre a política nacional do que da política do estado. Quando traz informações sobre este assunto no estado, as matérias, em vez de falar das propostas dos candidatos, seus perfis e um pouco de seus partidos, tratam da rincha entre os mesmos, destacando dois políticos: João Leite e Alexandre Kalil.


Na semana dessa análise, o Portal Estado de Minas postou aproximadamente 34 matérias sobre política do Estado e cerca de 20 matérias sobre as eleições á prefeitura da capital belo-horizontina. Observamos poucas matérias sobre debates políticos e agendas dos candidatos. Em uma matéria sobre as eleições, com o seguinte título “Candidatos a prefeito de BH participam de debate na UFMG”, a plataforma mostrou alguns dos assuntos tratados e o que pensam os candidatos sobre eles.


O portal noticiou matérias que abordavam política e futebol, mostrando como alguns candidatos quiseram tirar proveito disso. Como, por exemplo, na matéria intitulada “Rivalidade também nas urnas”, na qual discorre sobre o vínculo dos dois candidatos ao time do Atlético-MG; alguns políticos apelavam para a torcida do Cruzeiro, para que não votassem neles. Observamos, também, pelas matérias publicadas pela plataforma, que o candidato Alexandre Kalil foi alvo de críticas dos políticos, isso fica claro na notícia: “Segundo colocado é alvo na reta final da disputa pela prefeitura de BH”. A matéria discorre sobre o fato de que candidatos queriam derrubar Kalil, em segundo lugar nas disputas, para tentar alcançar o candidato que liderava, João Leite.


O Estado de Minas trouxe matérias interessantes como, por exemplo, quando falou dos candidatos mais novos e recorde de inscritos nessas eleições e que Minas Gerais lidera indicativos de irregularidades nas campanhas. Porém, acreditamos que a plataforma deixou a desejar no que diz respeito a coberturas das eleições, tanto para prefeito, como para vereador. Notamos, também, que o portal não trouxe muitas informações sobre a eleição de outras cidades mineiras.


Concluímos que as mídias postavam sobre as eleições, mas, às vezes, não dava um enfoque que realmente fosse de interesse sociopolítico e econômico da população. A mídia precisa se desvincular de interesses próprios e tem que visar informar o público de maneira que este fique por dentro do que está acontecendo e possa formar sua opinião sobre o assunto, em vez de reproduzir pensamentos dos grandes meios de comunicação.


Acompanhe a análise da cobertura política (PDF)

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