08
Sáb, Ago

Oriente Médio em foco

Política
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O Oriente Médio, território que se estende desde o leste do Mediterrâneo até o Golfo Pérsico, é uma sub-região da África-Eurásia, sobretudo da Ásia, e partes da África setentrional. A região conta com um clima semiárido e desértico, e uma cultura antiga e forte, como, por exemplo, dos mesopotâmicos e os egípcios. É também berço do judaísmo, islamismo e cristianismo. Sua história, desde os primórdios, esteve repleta de alianças e conflitos que originaram diversos cenários étnicos.

Transformações mais recentes no Oriente Médio - uma das áreas mais complexas do mundo, no tocante ao aspecto político e social - surgiram diante de um acontecimento histórico, a Primavera Árabe. Em 2010, um jovem tunisiano ateou fogo em seu próprio corpo, desencadeando uma série de protestos por toda região. Depois da onda revolucionária,  a Guerra Civil Síria e a crise de refugiados; a ascensão e derrota militar do Estado Islâmico; os conflitos no Iêmen e na Líbia e as mudanças de governo no Egito. Soma-se a isso, o longo conflito entre palestinos e israelenses, que já perdura por mais de 70 anos.

Da esquerda para a direita: Revolução egípcia de 2011, revolução tunisina, levante iemenita de 2011, levante sírio de 2011 (Foto:Wikipédia)

 

Igor Sabino, Alumnus do Philos Project Institute (Foto: Arquivo pessoal)Um dos países em situação de crise econômica, política e humanitária é a Síria. De acordo com o doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco, bacharel e Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Estadual da Paraíba, Igor Sabino, o cenário começou a se formar em 2011, quando civis protestaram contra o governo de Bashar Al-Assad. “Após as primeiras manifestações na cidade de Daara, o governo sírio decidiu reprimir a população por meio da força. Disso, surgiram vários grupos rebeldes para tentar depor Assad, inclusive radicais islâmicos. Foi quando potências estrangeiras — dentre elas, os EUA — se envolveram de forma indireta por meio do patrocínio de diferentes grupos armados”, relata o Sabino. 

Ele lembra que Assad teve o apoio da Rússia e da China. “Após quase dez anos de conflitos e denúncias de uso de amas químicas contra civis, mantém o controle das principais cidades do país. Mais da metade da população síria, contudo, permanece fora de suas residências, com cerca de cinco milhões de refugiados espalhados pelo Oriente Médio e seis milhões de deslocados internos”. 

Sabino destacou ainda a retirada das tropas dos EUA do Norte da Síria, dispostas em territórios ocupados pela milícia curda YPG.“A medida permitiu o avanço das forças turcas na Síria, colocando em risco a vida de milhares de pessoas, principalmente cristãos assírios e curdos, uma vez que a Turquia considera YPG um grupo terrorista a ser combatido assim como o Estado Islâmico. Grupos de ajuda humanitária, no entanto, afirmam que o que tem ocorrido no norte da Síria é uma tentativa de limpeza étnica por parte do exército turco”.

A presença dos radicais islâmicos também é fator alarmante no Oriente Médio. No dia 26 de outubro de 2019, foi anunciada a morte do líder islâmico, Al-Baghdadi, significando a derrota militar completa do Estado Islâmico e suas tentativas de remodelar as fronteiras políticas da região para criar um governo islâmico supranacional. Apesar disso, o falecimento de Al-Baghdadi não representa o fim do Estado Islâmico, já que o grupo continua ativo em outras regiões do mundo, sobretudo na Ásia e na África.

“Há fontes que afirmam que, após a retirada das tropas estadunidenses do Norte da Síria, conforme ordenado por Donald Trump, vários ex-combatentes que estavam presos e foram soltos por militares turcos têm avançado sobre a área. Logo, os especialistas ainda discutem a possibilidade de uma re-ascensão do Estado Islâmico, a depender do que acontecerá no futuro do Oriente Médio, principalmente no Iraque e na Síria. Vale ressaltar que isso já ocorreu em outras ocasiões, uma vez, embora o Estado Islâmico tenha proclamado um califado apenas em 2014, já atuava em território iraquiano desde 2006”, disse Igor Sabino.

Outro acontecimento importante no Oriente Médio foi a recente eleição de Netanyahu, do partido Likud. A democracia israelense segue um regime parlamentarista. Em vista disso, os partidos a alcançarem o maior número de votos nas eleições possuem a chance de formar um parlamento. O partido Likud, porém, pela primeira vez, não conseguiu formar uma coalizão. O oponente de Netanyahu, Benny Gantz, deve tentar formar uma coalizão até 21 de novembro, ou novas eleições serão convocadas. 

Netanyahu realizando discurso como Primeiro Ministro (Foto: Wikimedia)

 “Até agora, é difícil prever o que vai acontecer e poucos analistas políticos têm se aventurado a dar palpites nesse sentido. É possível afirmar que a ‘derrota’ de Netanyahu foi um dos eventos mais significativos da política israelense, estando mais relacionada a assuntos internos do país do que ao conflito com os palestinos propriamente dito”, explica o professor. “Muitos acreditam que um elemento chave para isso são as denúncias de corrupção contra Netanyahu, o qual, vale salientar, permanece como Primeiro Ministro, até que haja a formação de um novo governo ou novas eleições”, pontua.

O atual governo brasileiro, liderado pelo presidente Jair Bolsonaro, tem adotado uma postura pró-Israel no cenário de conflito entre palestinos e israelenses. O anúncio de mudar a embaixada brasileira de Tel-Aviv para Israel gerou controvérsias e tensões com os países árabes. A fim de amenizar a questão, Bolsonaro visitou oficialmente alguns países do Golfo, como os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita. 

 

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