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Sáb, Ago

Casa do Saber ressurge para compartilhar livros

Cultura
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Em meio à cidade movimentada e seus habitantes apressados, um pequeno abrigo para almas cansadas e mentes criativas firmou-se na região Oeste de Belo Horizonte. A Casa do Saber é uma biblioteca pública ao ar livre, idealizada pelo morador de rua, Klinger Douglas, que acolhe pessoas e empresta livros para quem desejar.

Iniciado em 2016, o projeto comunitário era situado entre os bairros Nova Suíça e Alto Barroca, embaixo de duas grandes mangueiras. Nomeado primeiramente como Casa da Árvore, o cantinho foi a morada de sonhadores, para troca e leitura de livros, um lar sem muros e de muitas histórias. Ao utilizar o espaço público, o idealizador do projeto decidiu ressarcir a população de uma maneira especial: recolher livros nas reciclagens que executava para montar uma grande biblioteca.

Como em contos de heróis, uma tragédia atingiu a iniciativa. Em setembro de 2017, ocorreu um incêndio que destruiu grande parte dos exemplares, assim como as mangueiras e a estrutura que abrigava os moradores de rua. “Há males que vem para o bem”, afirma Douglas, com tranquilidade. Apesar do infortuno, o espaço ressurgiu. Como o novo símbolo da Casa afirma, uma fênix, o projeto “renasceu das cinzas”. Com o apoio da prefeitura e doações, a biblioteca foi reorganizada e hoje comporta uma iniciativa ainda maior.

 

Douglas (segundo à direita) e seus ajudantes da Casa do Saber (Foto: Ana Staut)

 

Os empréstimos funcionam como doações e trocas. Os livros estão disponíveis para quem desejar, moradores da região ou visitantes. Douglas diz não se preocupar em criar fichas de devolução e confia na consciência das pessoas. “O livro não é meu, é nosso”, contou o idealizador. “É livro novo todo dia. Quem disse que só em computador que se compartilha?”

Ele revelou as situações que enfrenta. “Sou um morador de rua, não sou bem-vindo, não sou bem visto. Para muita gente, o morador de rua é um zero à esquerda, então, essa é a ênfase do projeto, mostrar que temos qualidade, que somos mais que moradores de rua", disse. "Eu tomei meu lugar de novo na sociedade, eu faço parte da sociedade, faço parte desse país”.

 

 

 

 

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