Desafios e conquistas do teatro no Brasil

Cultura
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Ações de incentivo ao acesso e ao desenvolvimento do teatro no Brasil são propostas de resistência à falta de popularidade da vertente artística

O Brasil, mundialmente conhecido por seu futebol de qualidade e grande desempenho em nível mundial, também conta com incríveis artistas de teatro que, muitas vezes, não possuem um grande reconhecimento dentro de seu próprio país. Tal desvalorização se deve, em parte, à pouca divulgação dessas artes nos grandes veículos de comunicação e ao baixo incentivo nas escolas em mostrar como o teatro tem a força de mudar o modo de pensar do ser humano.

O ator e cantor Beto Sorolli afirma que a nossa educação é muito tecnicista, ignorando outros aspectos da formação humana. “O teatro e a música tinham que fazer parte da educação básica porque o que eu percebo da educação é que ela é muito tecnicista, não que o nosso país não precise, nosso pais ainda é um pais em desenvolvimento e, claro, a gente precisa de todos os segmentos da sociedade funcionando, então, tem que ter o encanador, o professor e o engenheiro, mas a arte também faz parte da nossa vida. A gente não vive só de lógica, a gente precisa do subjetivo também”.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econ (IPEA), em 2010, 59,2% dos brasileiros nunca frequentaram um teatro e 25,6% viram raramente. Muitos entrevistados relataram que possuem dificuldade em consumir esse produto devido à localização dos equipamentos culturais e o alto preço para frequentar as peças.

Entretanto, já existem no país medidas para reverter essa situação. Em São Paulo, acontece o Projeto São Paulo de incentivo ao Teatro Infantil e Jovem, proporcionando visibilidade e reconhecimento aos espetáculos. Em Belo Horizonte, a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, evento anual que teve, em 2018, sua 44ª edição e trouxe mais de cem espetáculos de teatro, musicais e de dança - adultos e infantis - aos palcos de diversos espaços espalhados pela região metropolitana da capital mineira. A campanha leva mais de 300 mil pessoas ao teatro em cada edição por meio da comercialização de entradas a preços populares e da divulgação massiva dos espetáculos.

“Em números, é a maior campanha de teatro que existe no Brasil, são muitos espetáculos em cartaz ao mesmo tempo, mobiliza um monte de público. O lado positivo da campanha é que as pessoas ficam esperando janeiro e fevereiro para ir ao teatro e elas vão a várias peças. O lado um pouco negativo é que muita gente só vai nessa época, não se acostumou a ir o ano inteiro. Então, até o próprio SIMPAC, que é o realizador da campanha, está criando outras estratégias para ter campanha de inverno, uma de comédia no final do ano, para mostrar para as pessoas que tem teatro o ano inteiro”, conclui Sorolli.

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