Casa Tina Martins sediou a Mali Feira Crioula neste sábado

Cultura
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Feiras e eventos culturais são muito comuns na Casa de Referência a Mulher Tina Martins. Com o intuito de conseguir arrecadar renda para o projeto de auxílio a mulheres em situação de violência realizado na casa, o instituto realiza periodicamente vários eventos culturais em parceria com outros movimentos, tratando de temas importantes da sociedade em rodas de conversas, palestras e outros tipos de eventos. As palestras e eventos visam, valorizar, empoderar, fazer com que a mulher reconheça a própria força e enxergue que ela tem poder para mudar a própria vida.

Neste sábado, dia 10/06, foi realizada a Mali Feira Crioula, organizada somente por mulheres, composta de produtos e serviços voltados para a valorização da cultura negra e para o público em geral, com programação de várias atrações na Casa de Referência da Mulher Tina Martins. O evento teve como objetivos colaborar com mulheres negras para concretizarem o seu desejo de obterem autonomia financeira, dar visibilidade à causa e ajudar a Casa Tina Martins a continuar sua luta que visa amparar mulheres que sofrem violência social, a renda da feira foi doada à Casa Tina Martins.

A feira contou com diversas comerciantes como Maria Aparecida da Silva, de 56 anos, que participou do evento vendendo artesanato, ouça a entrevista:

 Feirante Maria Aparecida da Silva, mais conhecida como Cida Silva, foto: Carolina Castilho

Na feira foram comercializados produtos alimentícios, moda afro e acessórios, arte autoral em papelaria e decoração, produtos para banho e cuidados com a pele, artesanato de bonecas negras (dandarinhas), além disso funcionou um salão de beleza especializado em corte afro e design de sobrancelhas e espaço criativo infantil. Para completar houve música, palestras e debates sobre assuntos pertinentes às mulheres.

Confira imagens do evento:

 

Fotos: Carolina Castilho

Mali Feira Crioula

Organização comandada por três mulheres, Raíssa Haizer, 22 anos, fundadora e administradora da Mali, Maria Rosa, 24 anos, responsável pela direção de arte e pela produção de eventos e Mariana Fidelis, 28 anos que faz a gestão financeira do grupo.

A Mali começou como um networking de mulheres que se ajudavam, se indicavam entre si, depois com a ideia de ampliar o grupo, ajudar mulheres negras e empreendedoras foi pensado um evento com atrações, comércio de produtos e serviços. Foi criada assim a Mali Feira Crioula, uma maneira mais eficiente de colaborar com a autonomia financeira das mulheres participantes. Além da feira que ocorre em diferentes pontos da cidade, dependendo da época, o grupo possui também a Mali Empreendedoras e Mali Afroempreendedoras que promove oficinas de treinamento para mulheres que pretendem ter um negócio próprio.

Maria Rosa, Mariana Haizer, Mariana Fidelis, organizadoras da Mali Feira Crioula. Foto: Carolina Castilho

Casa Tina Martins

Representação gráfica de Vespertina(Tina) Martins

A Casa é um espaço para auxílio de mulheres em situação de violência, após uma pesquisa, as mulheres do Movimento de Mulheres Olga Benário descobriram que existiam inúmeros imóveis públicos desocupados em Belo Horizonte e passaram a exigir que um deles fosse cedido ao movimento. O movimento conseguiu então uma casa no bairro Santa Efigênia, região Leste de Belo Horizonte. A partir daí elas queriam ser um local de referência para mulheres que passassem por qualquer tipo de violência, oferecendo ajuda psicológica, médica e jurídica. Se tornou, então, a Casa de Referência da Mulher Tina Martins. O imóvel que é tombado, foi cedido provisoriamente pelo governo de Minas Gerais.

Thatiane Mátia, Coordenadora estadual do Movimento de Mulheres Olga Benário, estabelece as frentes de atuação da Casa Tina Martins separadas em eixos de trabalho, primeiro, a formação politica, são feitas rodas de conversa, palestras e oficinas para falar de assuntos que afetam as mulheres que chegam na casa, com o objetivo de fazer uma reflexão sobre a mulher na sociedade e o machismo. O segundo eixo é o encaminhamento, após ouvir quais são as demandas e necessidades das mulheres que chegam na casa, elas podem ser encaminhadas para instituições parceiras ou públicas que podem auxiliá-las no que for preciso. O terceiro eixo é o acolhimento, no caso da mulher que está em um ambiente caótico, ou em alguns casos mora na rua, ela pode ficar por um período de tempo na casa e esse acolhimento temporário ajuda a fortalecê-la, além de poder ter auxílio jurídico e psicológico, está também sendo estruturado um núcleo de assistência social. Há de se ressaltar que o abrigo na Tina Martins só é feito em situações emergenciais, a casa não tem estrutura para abrigar muitas mulheres, é uma organização que tenta fazer um papel que é obrigação do Estado e tem a intenção de chamar atenção evidenciando que ele não está cumprindo sua função.

A Tina Martins não tem vinculo estatal, mas já faz parte da rede de enfrentamento da violência contra a mulher e é reconhecida pelo estado como tal.

Como é uma ocupação e não tem recursos públicos, a maneira de arrecadar dinheiro para financiar seus projetos é com a organização de eventos culturais que geram doações para a Casa, como a Mali Feira Crioula do último sábado, dia 10 de junho e o evento que está por vir, no dia 24 de junho, vai ser organizada uma festa junina em parceria com a Escola de Arquitetura da UFMG.

 

 

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