A COMUNIDADE HIPPIE: ENTENDENDO A CULTURA E O PRECONCEITO

Cultura
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O movimento Hippie surgiu nos anos 60, nos Estados Unidos, pregando igualdade e o chamado “amor livre”. Os princípios da comunidade Hippie e de seus integrantes iam de contraponto aos ideais capitalistas daquele período, vindos de uma sociedade que acabara de presenciar a guerra mais desastrosa vista pelo homem, a 2ª Guerra Mundial, e os E.U.A estavam prestes a entrar em confronto com a União Soviética. Por conta disso, começaram a questionar o uso de armas e o lema “Paz e Amor”, que correu por todo mundo, permanece até hoje.

O preconceito contra os hippies pode ser evidenciado de várias formas, sendo as principais delas a falta de proximidade da sociedade com o grupo e o descaso de conhecimento sobre o movimento. Basta escolher um ponto no Centro de Belo Horizonte e ficar observando o fluxo das pessoas passando por alguns minutos e será possível perceber que é como se os hippies não estivessem presentes, já que, na maioria das vezes, são ignorados pelas pessoas que passam por eles.

O preconceito também é gerado pelo estereótipo que os hippies possuem de serem vistos pela população como moradores de rua ou usuários de drogas. Esses estereótipos geram o medo que muitas pessoas têm de passar perto, aproximar ou interagir com os hippies. Além de que, a falta de conhecimento sobre a origem do movimento hippie e seus ideais, faz com que as pessoas não compreendam o motivo do uso das drogas que é feito por parte desse grupo. 

Em Belo Horizonte, a Praça Sete de Setembro é um dos pontos escolhidos pelos Hippies para se estabelecer, seja como moradia ou ambiente de trabalho. Janilson Lages, de 43 anos, que vende produtos artesanais na praça há seis, conta que se tornou Hippie porque não conseguiu se adaptar ao estilo de vida tradicional e relata: “Todos são praticamente obrigados a seguir um estilo de vida padrão comercial e ético, onde todas as pessoas têm que ser bonitas, todas tem que ser ricas e maravilhosas, mas para mim, a vida não é isso”, conta o Hippie que afirma estar muito mais satisfeito agora com seu estilo de vida alternativo.

 

                                       

Rafael, de 32 anos, é Paulista e sua vida se resume basicamente a viajar: seja de carona, bicicleta ou ônibus. Em entrevista, Rafael contou que permaneceu na Praça Sete por uma semana e já pretendia um novo destino: “Minha vida é viajar”, relata. Por não ter uma moradia fixa, e manter um estilo de vida nômade, Rafael mantém uma das principais características da cultura Hippie inicial. Ele afirma que já sofreu por diversas vezes preconceito ao ser chamado de maconheiro, vagabundo e cachaceiro, entretanto ele relata conseguir superar tais estereótipos: “Nós vai quebrando as barreiras e passando por cima disso e mostrando que o artesanato não tem a ver com vagabundagem”, conclui Rafael.

De acordo com o professor de sociologia, Heuler David, o estereótipo rotula os grupos. As pessoas aceitam o estereótipo porque é mais cômodo acreditar nele do que buscar saber a realidade do grupo e o contexto no qual ele surgiu. Desta forma, os estereótipos nos quais as pessoas se baseiam acabam alimentando uma sociedade cada vez mais preconceituosa. “Quando falamos de Hippies você percebe que as pessoas ainda acreditam no estereótipo do vagabundo, do drogado, do descompromissado. Sendo que o movimento surgiu como forma de contracultura, mas as pessoas não buscam saber do contexto.” afirma Heuler.

 

Os Hippies são uma comunidade simples e sua alegria vem das conversas que tem uns com os outros ou dos momentos que passam com a natureza e seus animais de estimação. Se fizermos uma pausa em nossa rotina caótica para observá-los por alguns minutos, perceberemos que essas pessoas são capazes de nos mostrar que o que importa não são os bens materiais, mas sim estar perto daqueles de quem você gosta, já que desta forma é possível espalhar o amor que existe dentro de cada um de nós.

 

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